A Amazônia atravessou três secas extremas nas últimas duas décadas. Elas ocorreram nos anos de 1998, 2005 e 2010. Estudo realizado por pesquisadores brasileiros indicou que, ao contrário do que se acreditava anteriormente, a seca de 1998 foi mais intensa do que as duas posteriores, de 2005 e 2010.
No Brasil, as áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas são a Amazônia e o Nordeste, afirmou o estudo. As últimas secas severas observadas na região chamaram a atenção dos cientistas, uma vez que, ao impactarem a floresta, podem interferir no sistema climático.
Eventos de seca na Amazônia estão ligados a fenômenos meteorológicos. Formam-se condições secas quando da ocorrência de intensos El Niño no Oceano Pacífico, quando se verificam temperaturas mais altas das águas tropicais do oceano Atlântico Norte durante o período do inverno e primavera, ou quando as duas situações acontecem ao mesmo tempo.
Os pesquisadores procuraram caracterizar mais detalhadamente os eventos de seca, diagnosticando os fenômenos meteorológicos associados a cada episódio. Eles optaram pela definição de seca a partir do índice de precipitação, pelo qual se quantifica o déficit de chuvas em diferentes escalas de tempo. Foram analisados diferentes séries de dados abrangendo o período entre 1979 e 2014.
Os resultados mostraram que no período ocorreram 8 anos considerados secos e 5 chuvosos. Os eventos secos foram mais intensos do que os eventos de chuva. Apesar das secas de 2005 e 2010 terem sido consideradas as maiores dos últimos anos, o estudo detectou que os menores valores do índice de precipitação foram registrados na seca de 1998, classificando-se como a mais extrema.
Todavia, nas secas de 2005 e 2010, os valores negativos do índice de precipitação persistiram por um longo tempo, especialmente nas regiões leste e sul da Amazônia. Apesar de maior, a intensidade da seca de 1998 diminuiu, juntamente com a área afetada, ao longo dos meses.
Dessa forma, os pesquisadores atribuíram a razão dos maiores impactos dos eventos de 2005 e 2010 à sua duração.
O estudo também identificou os padrões de circulação atmosférica que originaram os três eventos extremos de seca – ligados a intensos El Niño e à temperatura das águas tropicais do oceano Atlântico Norte.
Aprimorar o conhecimento da dinâmica dos padrões de circulação atmosférica associados às secas extremas na Amazônia permite melhorar sua projeção. Com isso, pode-se planejar medidas preventivas para minimizar seus impactos.
Mais informações: dos Santos, S. R. Q., Braga, C. C., Sansigolo, C. A., Neves, T. D. A. T., & dos Santos, A. P. P. (2017). Droughts in the Amazon: Identification, Characterization and Dynamical Mechanisms Associated. American Journal of Climate Change, 6(02), 425.
Imagem: Figura 2 do estudo – Séries temporais do índice pluviométrico na Amazônia considerando diferentes escalas de tempo (3, 6 e 12 meses)
