Alteração das chuvas em Campinas e Baixada Santista

Alteração das chuvas em Campinas e Baixada Santista

O padrão das chuvas nas regiões metropolitanas de Campinas e da baixada Santista deve mudar por causa do aquecimento global, afirma estudo de pesquisadores brasileiros.

Em função dos impactos que provocam, um dos fenômenos meteorológicos que mais chama a atenção dos cientistas são eventos de chuva extrema. Diversas análises realizadas anteriormente mostram que aumentou a frequência desses eventos, tendência que deve continuar no futuro.

Chuvas extremas trazem impactos para as áreas urbanas, especialmente nos países em desenvolvimento como o Brasil. A intensidade dos impactos está ligada à vulnerabilidades presentes em um determinado centro urbano.

No caso das regiões metropolitanas de Campinas e da baixada Santista, o crescimento urbano desorganizado levou à ocupação de áreas de risco, como encostas e planícies de inundação de cursos d’água. Essa ocupação do espaço urbano trouxe consigo maior vulnerabilidade da população a fenômenos meteorológicos extremos.

Utilizando um modelo climático regional, o estudo projetou as potenciais mudanças na frequência e intensidade das chuvas extremas nas duas regiões metropolitanas. O objetivo foi gerar informações para o planejamento de medidas de adaptação, reduzindo a vulnerabilidade dos centros urbanos.

As projeções consideraram três cenários – de baixas, médias e altas emissões de gases de efeito estufa -, e consideraram intervalos de 30 anos no período compreendido entre 2010 e 2100.

Ciclo anual de precipitações nas regiões metropolitanas de Campinas (à esquerda) e da Baixada Santista (à direita). A linha preta indica a média do período 1961-1990 conforme simulado pelo modelo climático, enquanto a linha tracejada traz a média calculada a partir de observações. As barras trazem as alterações projetadas pelo modelo climático para os períodos 2011-2040 (P1), 2041-2070 (P2) e 2071-2099 (P3). Fonte: figura 4 do estudo.

Os resultados indicam aumento de chuvas na região metropolitana de Campinas durante os meses de Dezembro a Fevereiro. Para a região metropolitana da Baixada Santista, observou-se aumento praticamente ao longo de todo ano, à exceção dos meses de Junho a Agosto.

Em média, verificou-se maior precipitação entre o fim da primavera e o verão e menor precipitação entre o inverno e o início da primavera, indicando condições mais secas na estação seca e condições mais úmidas na estação chuvosa. Mas essa alteração foi menos significativa na Baixada Santista, provavelmente em função da proximidade com o mar.

Para ambas as regiões metropolitanas, as projeções apontaram para um aumento da intensidade das precipitações, enquanto o número de dias chuvosos diminuiu. Esse tipo de alteração pode afetar a região metropolitana de Campinas por meio de inundações e secas, e por meio de inundações e deslizamentos de terra na região metropolitana da Baixada Santista.

De acordo com os pesquisadores, é crítico implementar ações de adaptação às condições climáticas atuais em ambas regiões metropolitanas. As mudanças climáticas devem piorar o quadro atual, demandando o planejamento urbano de cidades mais resistentes e adaptadas ao clima.

Mais informações: Cavalcanti, Iracema FA, et al. “Projections of Precipitation Changes in Two Vulnerable Regions of São Paulo State, Brazil.” American Journal of Climate Change 6.02 (2017): 268-293.
Imagem: Pixabay