O estudo investigou um período no passado geológico da Terra mais quente do que o presente. Denominado de Eoceno, entre 54 e 34 milhões de anos atrás, ele se caracteriza por uma configuração ligeiramente diferente dos continentes, das cadeias de montanhas e dos oceanos. Fósseis de plantas e animais que viveram nesse período, e ligados a habitats quentes, foram encontrados em regiões de altas latitudes.
Havia pouco ou nenhum gelo nos pólos. Reconstruções estimam que a temperatura média global era entre 9 e 14°C mais alta do que no presente. Estima-se que a concentração atmosférica do CO2 era entre 1.000 e 2.000 partes por milhão – ppm, o que seria 2,5 a 5 vezes superior às concentrações atuais, da ordem de 400 ppm.
O período também foi marcado por múltiplos eventos de aquecimento global de curto prazo (em termos geológicos), conhecidos como hiper-termais. Tais eventos se destacam por um aumento da concentração atmosférica de CO2 e das temperaturas médias globais entre 2 e 8°C acima do registrado no período.
Informações a respeito do Eoceno são obtidas através de sedimentos marinhos e terrestres que datam do período. Mas os dados produzidos a partir de sedimentos marinhos variavam em certa medida em comparação com dados de sedimentos terrestres. Os cientistas buscaram integrar as diversas fontes através de um novo método de análise físico-química dos isótopos de carbono presente nos sedimentos.
Através do novo método, os cientistas detectaram a proporção de isótopos carbono-12 em relação ao isótopo carbono-13 nas amostras dos diferentes sedimentos. Dessa forma, foi possível reconstruir a concentração atmosférica do Eoceno. Os resultados indicaram concentrações médias de CO2 entre 463 e 806 ppm, de acordo com o cenário considerado.
Somente nos eventos hiper-termais, as concentrações ultrapassaram o patamar de 1.000 ppm. A partir da análise dos sedimentos, o estudo sugere que esses eventos foram provocados pelo derretimento dos solos congelados – permafrost, em inglês.
Zonas de solos congelados guardam uma grande quantidade de carbono nos solos, que é liberado para a atmosfera na forma de gás quando derretem. Não foi possível identificar, no entanto, o que causou o aquecimento das regiões de solos congelados.
De acordo com os cientistas, o estudo representa um alerta a respeito da relação entre concentração atmosférica de CO2 e a temperatura média global do planeta. O acordo climático de Paris está baseado, por exemplo, na premissa de uma relação linear entre as concentrações e o aumento da temperatura. A premissa pode estar errada.
Mais informações: EurekAlert e NOAA
Imagem: Flickr US Geological Survey – erosão em área costeira de solos congelados
