Além disso, vale lembrar que os efeitos do aquecimento global, complexos e multifacetados, se estenderão aos meios físico, biológico e socioeconômico. As consequências listadas a seguir constituem somente uma pequena amostra das mudanças pelas quais o sistema climático terrestre está atravessando devido ao aquecimento.
1. Elevação da temperatura da superfície
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| Fonte: IPCC 2013. |
Um dos indicadores criados pela ciência para acompanhar variações na temperatura do planeta é também o mais conhecido. A temperatura média da superfície terrestre combina os dados disponíveis sobre a temperatura do ar, obtidas por estações climatológicas, e da camada superficial dos oceanos.
No gráfico acima, apresenta-se o indicador calculado para o período compreendido entre 1850 e 2012. O indicador se baseia em informações de três centros de pesquisa diferentes.
As variações na temperatura – negativas, mais frias, ou positivas, mais quentes – tomam como referência os valores médios registrados nas décadas entre 1961 e 1990. O painel superior traz valores anuais da temperatura média da superfície. No painel inferior, os dados são mostrados como a média da temperatura ao longo de uma década.
A tendência de aumento continuará neste século, à medida que subirem as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.
2. Mudança da frequência de temperaturas extremas
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| Fonte: IPCC 2013. |
Desde meados do século 20, tem sido registrado em grandes extensões geográficas do planeta uma diminuição nos índices de extremos frios e um aumento nos índices de extremos de calor. Além disso, a ocorrência de ondas de calor também apresenta uma tendência de aumento.
Os gráficos acima trazem a variação na frequência anual de extremos de temperatura para o período entre 1951 e 2010, calculados a partir de séries de dados de três centros de pesquisa diferentes. A coluna da esquerda mostra a ocorrência de noites (superior) e dias (inferior) quentes, enquanto que a coluna da direita mostra a ocorrência de noites e dias frios.
A referência foram os valores médios registrados nas décadas entre 1961 e 1990.
3. Aumento do nível médio do mar
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| Fonte: IPCC 2013. |
O aumento do nível do mar é uma consequência do aquecimento global. As mudanças no volume de água dos oceanos se devem principalmente a dois fatores.
O primeiro deles é a expansão térmica da água, à medida que os oceanos absorvem, em forma de calor, grande parte da energia adicional acumulada pelo sistema climático.
O segundo fator é a transferência de água das geleiras e calotas polares para os oceanos.
O gráfico acima apresenta uma compilação do nível médio do mar calculado a partir de dados históricos (em roxo), observações instrumentais (em azul, vermelho e verde), e projeções de modelos climáticos até 2100, considerando um cenário de baixas (azul) e altas emissões (vermelho).
Em função da quantidade de pessoas, de centros urbanos e de infraestrutura localizados em regiões litorâneas, o aumento do nível do mar é certamente uma das consequências mais graves do aquecimento global.
4. Retração das calotas polares
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| Fonte: IPCC 2013. |
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| Fonte: IPCC 2013 |
Em um sistema climático que armazena maior quantidade de calor, a tendência é diminuir a ocorrência de água em estado sólido – gelo, como em geleiras e calotas polares.
Em períodos do passado geológico da Terra, quando as temperaturas médias eram mais altas do que no presente, os pólos permaneceram livres de gelo. O oposto ocorreu em períodos de glaciação e menores temperaturas.
A mesma consequência se verifica no caso do presente aquecimento global. As calotas polares da Groenlândia e da Antártica estão perdendo massa e diminuindo de volume.
O gráfico da esquerda mostra a perda cumulativa de massa de gelo da Antártica no período entre 1992 e 2012. No gráfico da direita, a mesma informação é apresentada para a Groenlândia.
O derretimento das calotas polares contribui com o aumento do nível do mar. Estudos também investigam como as modificações do Ártico influências sobre padrões circulatórios da atmosfera e dos oceanos.
5. Mudança na quantidade de vapor d’água da atmosfera
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| Fonte: IPCC 2013. |
Uma vez que este é um gás de efeito estufa, essa consequência tem como efeito reforçar a tendência de aquecimento.
Monitorar a quantidade de vapor d’água é uma tarefa complexa, que a ciência ainda encontra dificuldades para realizar. O gráfico acima reúne a reconstrução de médias globais anuais da umidade específica do ar na superfície terrestre, segundo quatro fontes científicas diferentes. A referência é o período entre os anos de 1979 a 2003.
6. Alteração da salinidade dos oceanos
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| Fonte: IPCC 2013. |
O aquecimento global tem efeitos sobre os processos do ciclo hidrológico, como evaporação e precipitação. Uma das consequência se manifesta na salinidade das águas dos oceanos.
Os dados coletados em diversos estudos indicam que a salinidade das águas superficiais está se alterando em escalas global e regional. A tendência se caracteriza pela intensificação do contraste entre as regiões nas quais se concentra a evaporação das águas oceânicas, mais salinas, e aquelas dominadas por precipitações, mais frescas.
O gráfico acima apresenta as alterações registradas na salinidade da superfície do mar entre 1950 e 2008, removendo-se os sinais sazonais introduzidos pelo El Niño.
7. Redução na produção de alimentos
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| Fonte: IPCC 2014. |
As modificações no sistema climático se expressarão através dos padrões climatológicos regionais. Atividades diretamente ligadas à essas variáveis sofrerão as consequências do aquecimento global.
É o caso da agricultura. Projeta-se que, em cenários de aumento da temperatura média em 2°C ou mais, a produtividade dos cultivos poderá ser afetada.
Alguns locais observarão uma melhoria de curto prazo de rendimento. Mas após 2050, o risco de impactos mais severos se acentua. Também deverá aumentar a variabilidade interanual dos rendimentos das culturas em muitas regiões.
O gráfico resume os impactos nos rendimentos das culturas ao longo deste século, considerando regiões tropicais e temperadas e diferentes cenários de emissões. As barras da direita mostram a porcentagem da produção mundial de alimentos com perda de rendimentos.
8. Aumento de inundações e secas
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| Fonte: IPCC 2014. |
A frequência e a magnitude de inundações e secas irá se alterar como consequência do aquecimento global. O risco de inundações tende a subir em áreas úmidas devido a intensificação de chuvas extremas. Áreas atualmente suscetíveis podem experimentar maior frequências de secas.
O gráfico acima traz a quantidade de pessoas (em milhões) expostas a inundações com recorrência de 100 anos. A linha preta traz o registro histórico do século 20, enquanto que as linhas azul, amarela e vermelha retratam as projeções de mudança em cenários de baixas, médias e altas emissões de gases de efeito estufa.
Ressalte-se que as projeções não consideraram o crescimento populacional. A exposição sobe entre 4 a 14 vezes até 2100 em comparação com a média do século passado. Incluindo um crescimento populacional moderado, o aumento fica entre 7 a 25 vezes maior.
9. Modificação do regime de fogo
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| Fonte: IPCC 2014. |
Provocadas pelo aquecimento global, as alterações no clima levarão, como consequência, à modificações na ocorrência de incêndios. A frequência, a probabilidade e o risco serão afetados.
A maioria dos modelos climáticos sugere que, aliado às temperaturas e à seca, o fogo fará com que as florestas sequestrem menos carbono da atmosfera ou mesmo se tornem fontes de emissão antes de 2100. A susceptibilidade da floresta ao fogo é projetada para mudar pouco no cenário de baixas emissões e substancialmente no cenário de altas emissões.
Os gráficos acima trazem uma avaliação do Índice de Perigo de Incêndio Florestal. À esquerda, em um cenário de baixas emissões, a diferença do índice projetado para o período entre 2070 e 2099, tendo como referência o índice de 1970 a 1999. À direita, a mesma projeção, dessa vez considerando o cenário de altas emissões.
10. Danificação dos recifes de coral
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| Fonte: IPCC 2014. |
Os recifes de coral constituem um dos ecossistemas com maior diversidade no planeta. Uma das consequências do aquecimento global é a degradação dos corais, em especial devido ao fenômeno do branqueamento.
Anomalias na temperatura do mar impactam os corais, que perdem a cor – ficam brancos – e podem, em algumas situações, levar a mortalidade em massa. Fenômenos de branqueamento tem ocorrido nos últimos 30 anos.
O gráfico acima traz a porcentagem dos locais em todo o mundo onde estão recifes de coral que registraram ao menos um evento de branqueamento por década. A partir de 2010, as barras indicam as projeções de ocorrência desses eventos em um cenários de médias a baixas emissões.












