Uma das consequências do aquecimento global, de acordo com o estudo, é o incremento nos níveis de vapor d’água da atmosfera. Isso se deve ao fato de que uma atmosfera mais quente é capaz de comportar maior quantidade de vapor d’água. Com maior umidade, a magnitude e a frequência de extremos de chuvas e de inundações tende a subir.
O problema é que os padrões de chuvas e inundações extremas apresentam uma alta variabilidade natural e geográfica. As projeções de modelos climáticos sugerem que as inundações extremas irão aumentar no longo prazo. Contudo, as flutuações locais e regionais são significativas, pois sofrem a influência de inúmeras variáveis meteorológicas e de alterações no uso e ocupação dos solos. Dessa forma, podem apresentar sinais distintos, aumentando e diminuindo, em curto e médio prazo.
Para lidar com as incertezas, os cientistas ressaltam a importância da continuidade de análises sobre o escoamento superficial das águas e as inundações. Em geral, tais análises se concentraram em inundações com certa regularidade ao longo do tempo, como, por exemplo, a avaliação de tendências relacionadas a enchentes anuais ou bienais. Pouca informação havia sido levantada a respeito de eventos extremos.
A fim de suprir essa lacuna, o estudo adotou uma abordagem regional, avaliando as mudanças na freqüência e magnitude de inundações extremas – com 0,033% de probabilidade de ocorrência anual. Foram utilizadas observações diárias da vazão de corpos d’água ao longo do período entre 1980 e 2009, coletadas em 309 bacias hidrográficas localizadas no leste da Austrália, 671 bacias hidrográficas nos Estados Unidos, 244 no Brasil e 520 na Europa.
Os resultados mostram que a freqüência de inundações extremas apresenta variabilidade temporal considerável. No entanto, em todas as regiões as taxas de ocorrência sugerem um relativo incremento com o tempo (ver gráfico acima). Os aumentos foram maiores no Hemisfério Norte, sendo de 44,4% na Europa e 21,4% nos Estados Unidos. No Hemisfério Sul, as alterações foram menores, cerca de 11,6% na Austrália e 14% no Brasil.
Não é possível, alerta o estudo, atribuir a tendência registrado a uma causa específica. As incertezas permanecem: os fatores associados à inundações extremas variam significativamente entre uma bacia hidrográfica e outra, e também entre um momento e outro. Portanto, os resultados não representam necessariamente as condições futuras.
Mas a abordagem de avaliação de inundações extremas pode ser combinada com análises específicas de cada bacia hidrográfica. Com isso, elas auxiliarão em melhores projeções de tendências futuras.
Mais informações: Recent changes in extreme floods across multiple continents
Imagem: Flickr/ Andre Buzzl Jr.

