2017 bate recorde de calor nos oceanos

2017 bate recorde de calor nos oceanos
O ano de 2017 bateu o recorde de temperatura nos oceanos, concluiu artigo publicado pelo Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências. A análise calculou a quantidade de calor armazenada nos oceanos ao redor do planeta, mostrando que a tendência de aquecimento global continua inalterada.

De acordo com o Instituto, devido a sua grande capacidade térmica, o oceano acumula da energia acumulada pelo planeta em função da maior concentração de gases de efeito estufa. Monitorar o conteúdo de calor oceânico produz um indicador mais robusto do aquecimento global, uma vez que ele não é afetado, como no caso da temperatura média da superfície, por ruídos ligados à variabilidade climática.

A análise foi baseada em séries de dados da temperatura dos oceanos até uma profundidade de 2.000 metros. Os cientistas calculam a quantidade de calor com o auxílio de um modelo computacional dos oceanos. O monitoramento realizado pelo Instituto de Física Atmosférica chinês se estende de 1940 até o ano de 2017.

O resultado da análise indica que, em 2017, a quantidade de calor no primeiro 2 mil metros dos oceanos  ficou cerca de 19,2 x 1022 joules acima da média registrada no período entre 1981 e 2010. 2017 acumulou 1,51 x 1022 joules a mais de calor do que 2015, o segundo ano mais quente anteriormente registrado.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética - EPE, o consumo de energia elétrica no Brasil em 2016 foi de 460 gigawatts-hora, o equivalente a cerca de 0,00017 x 1022 joules.

Os últimos cinco anos bateram recordes na quantidade de calor acumulada nos oceanos. Observou-se em 2016 uma quantidade menor de calor devido ao intenso El Nino, fenômeno que contribui para transferir energia das águas do Pacífico para a atmosfera.

O artigo apontou que o conteúdo de calor oceânico subiu na maioria das regiões do mundo. O crescimento foi mais acentuado nos oceanos Atlântico e Sul do que nos oceanos do Pacífico e da Índia. Estimou-se que o aumento de calor dos oceanos em 2017 implicou em um aumento do nível médio do mar de 1,7 mm. Isso se deve porque, com temperaturas mais altas, o volume das águas se expande.

Os cientistas lembras que o acúmulo de calor dos oceanos traz inúmeras consequência, como a diminuição da concentração de oxigênio da água, o branqueamento de recifes de coral e o derretimento do gelo marinho e de calotas polares. Em 2017, o aquecimento global continuou a influencia o sistema climático terrestre.

Mais informações: 2017 was the warmest year on record for the global ocean
Imagem: Figura 2 do artigo - quantidade de calor nos oceanos em 2017 em comparação com a média do período entre 1981 e 2010.