Notícias com pouca credibilidade científica foram mais compartilhadas do que notícias com alta credibilidade científica em 2017, mostra avaliação da organização Climate Feedback. A mídia ainda trata o tema do aquecimento global e das mudanças climáticas com sensacionalismo e, muitas vezes, promovendo a desinformação.
Sediada na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a organização Climate Feedback é formada por uma rede de cientistas. O objetivo é avaliar notícias publicadas pela mídia tradicional a respeito do tema do aquecimento global e das mudanças climáticas, avaliando informações contextuais, imprecisões ou argumentos parciais ou falsos.
A organização levantou as notícias mais compartilhadas nas mídias sociais dos Estados Unidos em 2017. Selecionou 25 artigos contendo afirmações atribuídas à ciência climática, que o jornalista ou autor do texto dizia ter origem em pesquisas científicas. Para cada uma das notícias escolhidas, dezenas de cientistas avaliaram a credibilidade científica.
Do ponto de vista dos cientistas, somente 24% dos artigos retratam precisamente a pesquisa científica, sugerindo uma maior probabilidade dos leitores interagirem com uma notícia enganadora nas mídias sociais. Atribuiu-se à maior parte das notícias credibilidade intermediária. Um terço delas foi avaliada com baixa credibilidade.
Entre notícias de credibilidade intermediária ou baixa, incluíram-se aquelas contendo informações precisa misturadas a afirmações enganadoras. A notícia mais compartilhada nas mídias sociais, produzida pela National Geographic, serve de exemplo. Ela explica corretamente o impacto sobre os ursos polares, mas induz os leitores a acreditar que um urso polar faminto, registrado em vídeo, é uma vítima direta das mudanças climáticas.
Em geral, as notícias de credibilidade intermediária - no ponto de vista dos cientistas - também sofriam do mesmo mal: sensacionalismo. Cenários de baixa probabilidade estudados pela ciência eram apresentados como prováveis, explorava-se o medo e as ameaças ligadas ao aquecimento global, ou se realizava uma simplificação dos fatos.
Esse tipo de análise, afirma a organização Climate Feedback, pode contribuir para as pessoas identificarem os veículos de comunicação mais confiáveis. Por um lado, a maior parte das notícias de maior credibilidade foi publicada pelo mesmo jornal, o New York Times. Outro veículo jornalístico, Washington Post, também apresentou um bom desempenho. Por outro lado, segundo a avaliação dos cientistas, a revista Forbes combinou publicações com e sem credibilidade.
Notícias de baixa credibilidade conquistaram altos níveis de compartilhamento nas mídias sociais. Incluíram histórias falsas como a de que o planeta não estava se aquecendo. Ou narrativas mais elaboradas destinadas a promover a desinformação, como afirmações a respeito da conspiração entre cientistas para manipular dados e enganar os líderes mundiais.
Mas o problema da desinformação pode ser muito maior. Notícias de baixa credibilidade acabam reproduzidas por diversos outros veículos de comunicação, espalhando-se entre milhares de leitores. A análise da organização Climate Feedback mostra apenas a ponta do iceberg.
Fonte: Climate Feedback
Imagem: Climate Feedback - gráfico das 25 notícias mais compartilhadas nas mídias socias dos EUA em 2017. A cor da barra mostra a avaliação da credibilidade científica (azul/verde: alta, amarela: intermediária, vermelho: baixa).

