As alterações climáticas causadas pelo aquecimento global podem influenciar de forma diversa o crescimento de plantas e o dos insetos. Estudo de pesquisadores dos Estados Unidos investigou como seria afetada a interação entre insetos e cultivos agrícolas. Eles projetam que a pressão sobre a produção de pragas aumentará, exigindo um crescimento substancial no uso de pesticidas para manter a produtividade.
Entre as inúmeras consequências do aquecimento global, inclui-se a alteração na fenologia de plantas e animais. A fenologia diz respeito aos fenômenos periódicos dos seres vivos, como a floração e frutificação das plantas, ou a migração das aves, e suas relações com as condições do ambiente.
Há pelo menos duas décadas, a fenologia de plantas e animais tem atravessado mudanças, especialmente a antecipação de ciclos ligados à primavera. Por exemplo, na Europa e na América do Norte, florações, migrações, entre outros, acontecem cada vez mais cedo.
A hipótese levantada pelos pesquisadores foi que o aquecimento global influenciará de modo diferente as taxas de crescimento dos cultivos e das populações de pragas. A hipótese se baseou no fato de que, em geral, a população de insetos cresce proporcionalmente ao aumento da temperatura. No caso das plantas, o crescimento depende também da quantidade de luz solar e da umidade.
Através de um modelos computacional, os pesquisadores reproduziram as condições observadas no Centro-Oeste dos Estados Unidos, com o foco em cultivos regionais de milho e soja. Nove espécies de insetos foram incluídas na análise. Adotou-se um cenário futuro de médias emissões, no qual as concentrações atmosféricas de CO2 estabilizariam em cerca de 560 ppm - o dobro do nível pré-industrial - até 2100.
As projeções do modelos sugerem que o clima afetará de modo diferente os insetos e as plantas. Subirão os danos causados pelas pragas até 2100. Com o aquecimento, o desenvolvimento e imigração de insetos passarão a acontecer mais cedo, levando a um aumento da população. O período de crescimento mais longo também trouxe um aumento do número de gerações.
Além disso, por serem mais oportunistas e móveis, a distribuição geográfica dos insetos se alterou mais acentuadamente do que a distribuição geográfica dos cultivos. Contudo, os impactos sobre os insetos ocorreu de modo diverso e não uniforme, tanto em relação à localização geográfica quanto ao longo do tempo.
Os pesquisadores alertam para as incertezas que ainda limitam o entendimento de como o aquecimento global influenciará a produtividade agrícola e as pragas. Medidas de adaptação da produção devem considerar a interação entre as plantas e os insetos, a fim de se evitar uma intensificação do uso de pesticidas.
Mais informações: Climate Change and Pest Management: Unanticipated Consequences of Trophic Dislocation
Imagem: Unsplash/ Johny Goerend
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