Utilizando um conjunto de modelos hidrológicos e climáticos, o estudo calculou a partir de dados disponíveis a vazão máxima diária anual de diversos rios no período entre 1971 e 2004. Depois, a partir de um conjunto de projeções climáticas do período entre 2035 e 2040, os cientistas avaliaram as alterações nas vazões. A partir daí, foram analisados os casos de inundação extrema.
Segundo o estudo, as inundações fluviais constituem o mais comum tipo de desastre natural ao redor do mundo. Prevê-se que o aquecimento global trará mudanças na precipitação, aumentação a exposição ao riscos de inundações extremas. Os cientistas decidiram analisar como o risco aumentaria até o final de 2040, bem como os investimentos necessários em proteção.
Mais da metade dos Estados Unidos precisará duplicar o nível de proteção a enchentes nas próximas duas décadas, afirmam os cientistas. Os resultados do estudo indicaram que, além dos EUA, os investimentos em adaptação deverão ser maiores em partes da Índia e da África, na Indonésia e na Europa Central, incluindo a Alemanha.
Sem implementar medidas de adaptação, o risco de inundação poderá subir dramaticamente. Levando em consideração a população atual, cerca de 10 vezes mais pessoas nos EUA e 7 vezes mais na Alemanha ficariam expostas ao risco de inundações extremas em 2040.
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| Mapa indicando o investimento em proteção a enchentes necessário até 2040. Verde claro mostra menor e verde escuro maior nível de investimento. Fonte: adaptado da figura 3 do estudo. |
Os valores absolutos de pessoas vulneráveis, no entanto, são significativamente maiores em outras regiões do planeta. Na América do Sul, o número passaria de 6 para 12 milhões de pessoas. Na África, de 25 para 34 milhões, e na Ásia, de 70 para 156 milhões.
Todavia, os impactos entre países industrializados e países em desenvolvimento são qualitativamente diferentes. Os primeiros apresentam, de acordo com o estudo, um nível alto de proteção contra inundações. Terão de implantar medidas adicionais para manter baixo o risco de inundação no futuro. Os segundos apresentam baixo nível de proteção e alto risco no presente. Em muitos casos, os risco aumentarão no futuro.
O cenário apresentado pelo estudo considera que o aquecimento global será limitado a menos de 2 graus Celsius, conforme definido no acordo climático de Paris. Mesmo nesse cenário, é preciso investir em medidas de adaptação a fim de reduzir os riscos futuros de inundações extremas. Contudo, em cenários de aquecimento superior a 2oC, os cientistas alertam que os impactos podem superar a capacidade de adaptação em muitas regiões.
Fonte: PIK
Mais informações: Adaptation required to preserve future high-end river flood risk at present levels
Imagem: Flickr/ Anderson Rancan

