A baixa sustentabilidade do gás de xisto

A baixa sustentabilidade do gás de xisto
Do ponto de vista ambiental, o gás de xisto constitui uma das fontes mais poluentes para a geração de eletricidade, afirma estudo de pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido. Eles compararam os aspectos ambientais, econômicos e sociais de diversas fontes de geração de energia no país.

Além do gás de xisto, o estudo analisou outras oito opções de geração, entre elas o carvão, o gás natural, o gás natural liquefeito, a energia nuclear, a energia solar fotovoltaica, a energia eólica, hidrelétricas e biomassa. Pesquisas anteriores a respeito do gás de xisto abordaram apenas os aspectos ambientais. Segundo os pesquisadores, a sustentabilidade ambiental desse tipo de fonte tem sido questionada, especialmente quanto a questões específicas como a poluição da água, o trânsito e o ruído.

O estudo ampliou o escopo de análise, considerando dezoito indicadores de sustentabilidade, dos quais onze eram ambientais, três econômicos e quatro sociais. Os indicadores incluíram, por exemplo, a contribuição da fonte de energia para o aquecimento global, a poluição, os custos da eletricidade, a criação de empregos e a percepção do público. 

O governo do Reino Unido, em conjunto com a indústria do setor, considera o gás de xisto como uma alternativa para garantir ao país maior segurança energética, crescimento econômico e geração de empregos. Mas esse tipo de fonte enfrenta forte oposição de inúmeras partes interessadas, como organizações não governamentais - ONGs -, residentes locais e ativistas ambientais.

Quando se atribuiu igual importância aos indicadores de sustentabilidade, o gás de xisto ocupou o sétimo lugar entre as nove opções de geração de eletricidade. As melhores foram a energia eólica e a solar fotovoltaica, e a pior, o carvão. Ao considerar pesos diferenciados para os indicadores, a classificação do gás de xisto variou entre a quarta e a oitava posição.

Para que o gás de xisto pudesse ocupar a primeira posição de sustentabilidade, os pesquisadores estimaram que os impactos ambientais deveriam ser 329 vezes menores, enquanto que o número de empregos gerados precisaria subir em 16 vezes. Simultaneamente, exigiria mudanças extraordinárias na atribuição de importância de cada um dos indicadores.

Alterações semelhantes seriam necessárias para que o gás de xisto pudesse igualar a sustentabilidade de outras fontes, como o gás natural ou liquefeito, biomassa, nuclear ou hidrelétrica. O estudo ainda ressaltou que a matriz de geração de energia do país seria tanto mais sustentável no futuro quanto menor fosse a participação do gás de xisto.

Os pesquisadores esperam que o estudo contribua na formulação de políticas no Reino Unido e em outros países. E informem melhor a indústrias, ONGs e consumidores sobre a fonte energética do gás de xisto.

Fonte: Universidade de Manchester
Imagem: Flickr/ Dennis Dimick - área de fracking no Texas