Menor aquecimento global trará menores impactos

Menor aquecimento global trará menores impactos
Limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais traria impactos significativamente menores do que limitar o aquecimento a 2°C. Os impactos variariam de acordo com a região geográfica e o tipo de setor analisado, aponta estudo de cientistas do Reino Unido.

O acordo climático de Paris propôs a meta de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Esforços devem ser realizados a fim de que a temperatura suba até 1,5°C. Mas a ciência havia pouco explorado a diferença do grau de impactos dos dois níveis de aquecimento.

O estudo buscou caracterizar, em escala global e regional, os impactos associados aos cenários de aumento da temperatura média global em 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais em 2100. Foram utilizados modelos climáticos e computacionais para projetar as mudanças do clima no futuro e estimar os impactos de exposição à secas, inundações fluviais, ondas de calor e demanda de energia para ar condicionado ou aquecimento.

Os cenários apontaram para uma maior proporção da população mundial exposta à seca e a inundações fluviais, mas com grande variabilidade regional. A frequência de secas afetando a agricultura aumentaria de modo mais uniforme em escala global. O maior aumento ocorreu na frequência de ondas de calor, sendo que a intensidade variou de acordo com a região.

Em escala global, a demanda total de energia mudaria pouco. Mas a demanda de energia para ar condicionado subiria, enquanto para aquecimento reduziria. Alterações na demanda de energia apresentaram um padrão complicado tanto na escala global quanto regional.

Caso a ocorrência de impactos fosse proporcional ao aumento da temperatura, os cientistas calcularam que, do ponto de vista global, o cenário de 1,5°C evitaria 30% dos impactos do cenário de 2°C. Todavia, a proporção de impactos varia entre setores e não é proporcional à temperatura. O estudo estimou, por exemplo, que a população exposta à seca no cenário de 1,5°C seria entre 36% e 51% menor do que de 2°C. A exposição à ondas de calor seria entre 61% e 63% menor.

Se na escala global os impactos dos cenários de maior temperatura se mostraram mais adversos, em escala regional se verificou uma mistura de impactos adversos e benéficos. O estudo apontou para a dificuldade em representar de modo simplificado os impactos regionais dos diferentes cenários. 

Os resultados trouxeram grande diversidade regional. Isso se deu em parte por causa da variação regional na exposição aos fatores analisados. A incerteza quanto as alterações climáticas, em especial ligadas à precipitação, também se revelaram bem maiores no nível regional.

Mais informações: The impacts avoided with a 1.5 °C climate target: a global and regional assessment
Imagem: Flickr/ Sérgio Vale-Secom Acre