Segundo o estudo, a agricultura é uma das atividades mais vulneráveis às mudanças climáticas. Projetam-se impactos mais severos no rendimento dos cultivos em países localizados nas baixas latitudes, como as zonas tropicais. Isso pode se reverter em graves danos econômicos em países exportadores como o Brasil.
Um dos impactos das mudanças climáticas será na distribuição geográfica das espécies de plantas agrícolas. O estudo ressalta que, atualmente, as espécies se encontram em equilíbrio com o clima. Elas ocorrem ou são cultivadas em lugares de as condições climáticas adequadas.
Mas o aquecimento global trará alterações na variáveis meteorológicas, quebrando o equilíbrio. Regiões que hoje apresentam clima adequado para determinadas culturas poderão deixar de ser no futuro, e vice-versa. A consequência é uma possível alteração da distribuição geográfica e da produção de muitos tipos de cultivos.
A fim de avaliar o efeito do clima e da adoção de tecnologias agrícolas sobre a produtividade da soja nos municípios brasileiros, os pesquisadores empregaram um modelo computacional e técnicas estatísticas para estimar a distribuição geográfica futura do cultivo. Foram consideradas as alterações no clima no período entre 2080 e 2100, em um cenário de médias emissões de gases de efeito estufa.
Entre os fatores que influenciam na adequação do plantio de soja, o papel do clima e da tecnologia agrícola variou em todo o Brasil. Mas o estudo sugere que a tecnologia teria uma importância maior para explicar os valores de produtividade. Em especial na região Norte, que possui baixa adequação ambiental ao plantio.
Os pesquisadores concluíram que o cultivo de soja no Brasil pode sofrer fortes impactos no futuro. Para manter os níveis atuais de produtividade, haverá a necessidade de desenvolver estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Mais informações: Geographical patterns in climate and agricultural technology drive soybean productivity in Brazil
Imagem: Flickr/ Marcelo Camargo-Agência Brasil
