Desde o auge da último glaciação, há cerca de 21 mil anos, até o início da era industrial, a temperatura média global subiu entre 3 e 8 graus Celsius. Pesquisas a respeito da flutuação da temperatura entre períodos glaciais e interglaciais haviam sido realizadas somente para a Gronelândia. O estudo estendeu a pesquisa para todas as regiões do planeta.
Foram coletados e analisados de diversos arquivos paleoclimáticos de um total de 99 pontos de amostra. Os cientistas compararam informações da temperatura extraídas de núcleos de gelo da Groenlândia e da Antártica com informações provenientes de outras fontes, como, por exemplo, sedimentos marinhos ou de lagos.
A hipótese atual sustentava que as temperaturas variaram significativamente durante a última glaciação. A variação da temperatura teria diminuído com o advento do período interglacial, mais quente. O estudo confirmou a hipótese, indicando que a flutuação da temperatura se tornou globalmente quatro vezes menor.
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| Mapa com os pontos de coleta de arquivos paleoclimáticos para investigação. Fonte: Kira Rehfeld/IAW. |
Os dados mostraram também uma padrão espacial. Nos trópicos, a flutuação da temperatura durante a última glaciação era entre 1,6 e 2,8 vezes maior do que no presente, enquanto que, em zonas de média latitude, era entre 3,3 e 14 vezes maior. Além disso, a Groenlândia se revelou uma região atípica no planeta, com a temperatura variando 73 vezes mais durante a última glaciação do que no presente.
A maior variabilidade da temperatura durante as glaciações se deve à maior diferença de temperatura entre as regiões polares e os trópicos. O contraste resultaria em uma troca mais dinâmica de massas de ar quente e frio entre as regiões. Segundo os cientistas, seguindo a mesma lógica, a variação da temperatura no presente deverá diminuir à medida que o aquecimento global avance.
O mecanismo poderia influenciar na ocorrência de eventos climáticos extremos. Todavia, as informações dos arquivos paleoclimáticos ainda não são detalhadas o suficiente. Os cientistas esperam que melhorias nas técnicas de investigação do passado permitam aprofundar o conhecimento científico.
Fonte: Alfred Wegener Institute
Imagem: André Paul/MARUM/IAW - cientistas avaliam um sedimento marinho em laboratório

