Não há como evitar que o derretimento das geleiras continue ao longo deste século, sugere estudo de cientistas austríacos e alemães. A perda de gelo deve se manter, mesmo em um cenário no qual todas as emissões de gases de efeito estufa sejam interrompidas em curto prazo.
Com exceção da Austrália, as geleiras ocorrem em todos os continentes. As geleiras de montanha, localizadas em regiões de média latitudes e nos trópicos, são as mais vulneráveis ao aquecimento global.
Desde 1850, as geleiras dos Alpes europeus perderam pelo menos entre 30% e 4o% da área e metade do volume de gelo. Nos últimos 100 anos, a área das geleiras dos Alpes da Nova Zelândia caiu em 25%. Retrações também são registradas na Ásia - desde a década de 1950 -, na América do Norte, na América do Sul e na África.
O objetivo do estudo foi investigar a estabilidade das geleiras mundiais em um cenário no qual o acordo climático de Paris tenha sucesso. Pelo acordo, os países membros concordaram em limitar o aumento da temperatura média global em até 2°C acima dos níveis pré-industriais. Esforços devem ser realizados para que a aumento seja de 1,5°C.
A partir de modelos climáticos, os cientistas exploraram projeções do sistema climático em cenários de aquecimento de 1,5°C e de 2°C. Eles calcularam os efeitos sobre as geleiras de regiões montanhosas, verificando a evolução da tendência atual de derretimento. O estudo não incluiu as geleiras das calotas polares da Antártica e da Gronelândia.
Segundo o estudo, mais de um terço do gelo presente hoje nas geleiras - cerca de 36% - será perdido, independentemente do alcance das metas do acordo de Paris. A retração das geleiras persistirá ao longo dos próximos 100 anos.
O motivo, explicam os cientistas, deve-se ao fato de que a resposta das geleiras ao aquecimento é lenta. O ajuste do tamanho das geleiras ao aumento da temperatura pode levar décadas. Nesse sentido, o volume atual de gelo ainda equivale a temperaturas médias de tempos pré-industriais.
Nesse sentido, as geleiras ainda estão se ajustando ao aquecimento causado pelo aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa do passado. Até que a situação se equilibre novamente, o derretimento é inevitável.
Todavia, para se evitar que a retração seja ainda maior, é fundamental cumprir o acordo climático de Paris. O estudo ressalta, além disso, que o derretimento será menos grave em um cenário de 1,5°C do que em um cenário de 2°C.
O cálculo dos cientistas estimou que cada quilograma de CO2 emitido provocará 15 quilogramas de derretimento de gelo no longo prazo. Considerando as emissões de um automóvel, representaria cerca de um quilograma de gelo glaciar perdido a cada quinhentos metros percorridos de carro.
Fonte: Universidade de Innsbruck e Union of Concerned Scientist
Imagem: Unsplash/ René Reichelt
O derretimento inevitável das geleiras
