Um mundo com mais eventos extremos
Estudo de cientistas dos Estados Unidos investigou os impactos do aquecimento na frequência de eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor, e chuvas intensas. Eles combinaram a análise de dados históricos com modelos climáticos que simulam a circulação global da atmosfera e do oceano. O objetivo foi comparar o atendimento ao acordo climático de Paris com o compromisso assumido pelos países em limitar o aquecimento global.
O compromisso assumido pelos países até o momento não será suficientes para cumprir as metas do acordo de Paris. A meta estabelece o limite do aquecimento global a no máximo 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para que seja de apenas 1,5°C. Mas a redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme proposto pelos países, implicará em um aumento da temperatura média global acima da meta, entre 2°C e 3°C.
A fim de definir a influência do aquecimento global ocorrido no último século, no qual a temperatura subiu cerca de 1°C acima dos níveis pré-industriais, os cientistas exploraram duas situações. Uma primeira simulação reproduziu apenas os fatores naturais de influência no sistema climático, como o ciclo solar ou as erupções vulcânicas. A segunda simulação inclui também o aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.
Ao comparar as simulações com os dados de eventos climáticos extremos, os pesquisadores puderam analisar qual representou melhor a realidade registrada nas séries históricas. Os resultados sugerem que o nível de aquecimento global atual aumentou em grande parte do mundo a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos.
O estudo quantificou a diferença do risco de eventos extremos em dois cenários futuros. Um deles considerava o cumprimento das metas do acordo de Pais, limitando o aquecimento entre 1°C e 2°C. O outro levava em conta o compromisso assumido pelos países, com aquecimento global na faixa entre 2°C e 3°C.
No último cenário, o estudo registrou crescimento substancial e generalizado na probabilidade de ocorrência de eventos extremos historicamente sem precedentes. Por exemplo, entre 15% e 60% da área da América do Norte, Europa, Ásia Oriental e sul da América do Sul mostraram uma probabilidade mais que 3 vezes superior à atual de exceder o valor do evento mais extremo do registro histórico.
Alcançar as metas do acordo de Paris limitaria significativamente os aumentos na probabilidade de eventos climáticos extremos. Todavia, o estudo identificou que muitas áreas ainda sofreriam grande alteração na probabilidade de ocorrência de eventos sem precedentes. Aproximadamente 25% da superfície terrestre veria as chances de noites mais quentes ou da precipitação diária máxima subirem mais de 5 vezes.
Os cientistas afirmaram que o cumprimento do acordo climático de Paris levaria a importantes reduções no risco climático de eventos extremos. Mas mesmo nesse cenário, ocorrerão aumentos substanciais e potencialmente de alto impacto na probabilidade de extremos sem precedentes em relação ao clima atual.
Mais informações: Unprecedented climate events: Historical changes, aspirational targets, and national commitments
Imagem: adaptado da figura 2 do estudo - mapa com aumento da probabilidade de ocorrência de dias quentes nos dois cenários analisados. As cores laranja a lilás indicam crescimento da probabilidade de ocorrência
