As superfícies terrestres dos continentes são complexas de entender e de simular em modelos climáticos, especialmente variáveis como a temperatura e a umidade do ar. Elas apresentam uma grande diversidade de fatores locais que influenciam o clima, como a vegetação e a topografia.
Mas estudo de pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido identificou um comportamento simples do sistema climático que pode facilitar o trabalho dos cientistas.
O estudo identificou uma ligação entre a temperatura do ar nos continentes e a temperatura do ar acima dos oceanos. A partir da relação entre os dois componentes, torna-se possível estimar o aquecimento nos continentes a partir do aquecimento dos oceanos próximo.
O modelo se baseou no seguinte princípio. À medida que o sistema climático aquece, a atmosfera diretamente acima da terra e do oceano acumula a mesma quantidade de energia. Essa energia pode ser transformada em calor, representado pela temperatura, ou pode ser absorvida pela água e levar a uma maior concentração de vapor d'água, representado pela umidade específica do ar.
Sobre os oceanos, a umidade específica do ar é maior, enquanto que nos continentes, menor. Portanto, o aquecimento da atmosfera acima dos oceanos se expressará por meio de maior aumento da umidade do que da temperatura.
Nos continentes, acontece o contrário. O aquecimento produzirá maior aumento da temperatura do que da umidade do ar. Assim, de acordo com o estudo, a temperatura da atmosfera nos continentes sobe mais rapidamente do que nos oceanos, mas de forma proporcional ao aumento da umidade do ar registrada sobre os oceanos.
Seria possível estimar o aquecimento nos continentes a partir dos dados registrados sobre os oceanos. Para tanto, o modelo incorporou também as trocas de energia e vapor d'água entre os dois componentes.
Os resultados do modelo foram comparados com dados histórico. Os pesquisadores apontaram que, juntamente com dados de satélites e estações meteorológicas, o modelo reproduziu as mudanças observadas nos últimos 38 anos em grandes áreas do globo.
Uma das grandes vantagens do modelo é que mais fácil monitorar por satélite os oceanos. Além disso, há um número menor de fatores interferindo na temperatura e na umidade do ar.
Os pesquisadores ressaltaram que a temperatura e a umidade do ar são variáveis importantes quando se considera os possíveis impactos do aquecimento global. Combinadas, elas podem provocar, por exemplo, eventos de estresse térmico. O novo modelo contribuirá na projeção desses impactos.
Fonte: Imperial College London
Imagem: Pixabay
Novo modelo para simular o aquecimento global
