A produção e queima de combustíveis fósseis e a indústria devem emitir pelo menos 570 gigatoneladas de carbono entre 2016 e 2100. Dessa forma, na prática não é mais viável atingir a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industrias sem a implementação de tecnologias de sequestro de carbono, indica estudo de um time de cientistas da Alemanha, Holanda, Suíça e Japão.
As estimativas do orçamento de carbono - a quantidade máxima de carbono que pode ser emitida a fim de se atingir as metas do acordo climático de Paris - são, em geral, radicalmente pequenas. Frente ao contexto atual de reprodução do modo de vida das sociedades contemporâneas, coloca-se em questão a viabilidade de se atingir as metas, particularmente a de 1,5°C.
Segundo o estudo, avaliações anteriores indicam que a trajetória para atingir a meta de 1,5°C demandará tecnologias de sequestro de carbono e restrições à emissão de gases de efeito estufa. A temperatura média global deve ultrapassar a meta até meados do século.
A partir daí, zerando as emissões, a continuidade de operação das tecnologias de sequestro de carbono levaria as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono - CO2 - a caírem até 2100. Com isso, a temperatura média global retornaria ao patamar de 1,5°C.
Os cientistas investigaram um conjunto de quatro medidas voltadas tanto para o lado da demanda quanto da oferta de energia. Buscaram quantificar contribuição dessas medidas para a redução das emissões pela indústria e pela queima de combustíveis fósseis entre 2016 e 2100.
Foi calculado que as emissões acumuladas entre 2016 e 2100 serão de no mínimo 570 gigatoneladas de CO2. Dessa forma, atingir a meta de 1,5°C sem que a temperatura ultrapasse esse limite dependeria do tamanho do orçamento de carbono.
Para estimativas mais conservadoras, considerando o orçamento de carbono em até 550 gigatoneladas de CO2, a temperatura ultrapassará a meta. Para estimativas medianas, entre 550 e 650 gigatoneladas de CO2, seria possível manter a temperatura abaixo da meta por meio do uso de tecnologias de sequestro de carbono.
Somente para estimativas de orçamento de carbono mais otimistas, acima de 650 gigatoneladas de CO2, considerou-se viável atingir a meta somente com restrições às emissões de gases de efeito estufa.
Contudo, o estudo apontou que as estimativas mais otimistas contemplam a implantação das medidas voltadas para a oferta e demanda de energia em graus pouco realistas. Além disso, fatores socioeconômicos, políticos e ambientais tornam essas estimativas ainda menos prováveis.
Cerca de 200 gigatoneladas de CO2 devem ser emitidas pela indústria e pela queima de combustíveis fósseis até 2020. A mitigação das emissões se faz cada vez mais urgente, alertam os cientistas.
Mais informações: Pathways limiting warming to 1.5°C: a tale of turning around in no time?
Imagem: Pixabay
Sem sequestro de carbono, temperatura passará de 1,5
