Agricultura mundial sob a influência do aquecimento

Agricultura mundial sob a influência do aquecimento
A atividade agrícola mundial experimentou um aumento de condições climáticas negativas desde 1980. Anomalias de temperatura e precipitação, bem como secas, afetaram negativamente a produtividade das culturas, sugere estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

Em um contexto de crescimento da população mundial, a produção de alimentos irá ganhar cada vez mais importância, afirma o estudo. Daí a necessidade de compreender melhor como a alteração das condições meteorológicas, causada pelo aquecimento global, pode impactar os rendimentos das colheitas.

Pesquisas anteriores apontaram que o rendimento de arroz, milho e trigo caiu na Europa entre 1980 e 2008. Cenários futuros de mudanças climáticas nos próximos 20 anos projetam o declínio mundial no rendimento do milho e do trigo.

Modelos computacionais de crescimento de culturas estimam que, para cada aumento de 1 ° C na temperatura média global, a produção global de trigo cairá 6%. No entanto, algumas regiões podem se beneficiar com o aquecimento. No México, por exemplo, a produção de trigo subiu 25% entre 1980 e 2001.

Além da temperatura, outro fator crucial para a agricultura é a precipitação. Especialmente a ocorrência de secas. E ambos os fatores podem influenciar um ao outro, com a temperatura contribuindo para episódios de seca. Todavia, os pesquisadores apontaram que pouca pesquisa havia sido realizada sobre a interação dos dois fatores e seus impactos sobre a produção.

O estudo analisou um conjunto de dados climáticos e produtivos das principais regiões mundiais de cultivo de milho, soja, trigo e arroz entre 1951 e 2006. Foram calculados os índices climáticos relevantes para a agricultura, considerando cada estação de crescimento. A partir daí, os pesquisadores quantificaram a exposição agrícola a tendências negativas e eventos extremos.

O conjunto de dados exibiu uma rápida aceleração da tendência de aumento da temperatura em todas as regiões de cultivo desde 1980. Além da temperatura média, também subiram as temperaturas máximas. Segundo o estudo, cerca de 30% das regiões mundiais de cultivo passaram a ficar expostas anualmente a eventos de altas temperaturas com o potencial de prejudicar o rendimento.

As tendências de precipitação se mostraram mais incertas do que as ligadas à temperatura. No entanto, o estudo identificou, além de tendências regionais, que em escala global há uma mudança dos índices de precipitação. A estação de crescimento tem se tornado mais úmida, com episódios de chuva mais intensos, intercalados por períodos mais secos entre eles. Também foi registrado aumento nos eventos de seca.

Os pesquisadores ressaltaram que as tendências da temperatura fizeram a agricultura mais vulnerável, particularmente a partir de 1980, quando o aquecimento e a exposição à extremos subiram abruptamente. Apesar de marcantes diferenças regionais, observou-se globalmente uma tendência crescente e coerente nos índices climáticos, como, por exemplo, na ocorrência de temperatura máxima diária.

O risco afeta a produção mundial de alimentos, concluiu o estudo. No passado, o risco associado às condições climáticas era especialmente diluído. Uma vez que os cultivos se espalhavam por diferentes regiões do planeta, um evento de seca em uma determinada região não causava grande impacto no suprimento global de alimentos.

Mas essa variabilidade espacial do risco pode estar diminuindo devido ao aquecimento global e às alterações no clima. Um conjunto maior de regiões passa a ser impactada anualmente por condições climáticas adversas. Nesse sentido, os pesquisadores recomendaram a adoção de medidas de adaptação, de modo a garantir a segurança alimentar.