Alcançar as metas do acordo climático de Paris traria benefícios para a biodiversidade do planeta. Especialmente se o aquecimento global fosse limitado a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, segundo estudo de pesquisadores da Austrália e do Reino Unido.
O estudo investigou cerca de 115.000 espécies de plantas e animais. Incluiu 31.000 insetos, 8.000 aves, 1.700 mamíferos, 1.800 répteis, 1.000 anfíbios e 71.000 plantas. O objetivo foi avaliar o impacto de cenários de aquecimento futuro sobre a disponibilidade de habitats e a distribuição espacial das espécies.
Pesquisas anteriores exploraram a influência sobre a biodiversidade do aumento da temperatura média global em 2ºC - o limite máximo relativo ao Acordo de Paris. Mas nenhuma delas havia considerado o grupo dos insetos, ou comparado os impactos do cenário de aquecimento de 2ºC com os do cenário de aquecimento de 1.5ºC ou de 3ºC .
Segundo os pesquisadores, compreender o risco para os insetos tem grande importância. Eles cumprem um papel nos diferentes ecossistemas do planeta, como, por exemplo, a polinização de flores e cultivos, ou a decomposição de matéria orgânica, além de compor a base da cadeia alimentar de outros animais.
Para cada um dos cenários, foi identificado o número de espécies que perderiam mais da metade de seu habitat atual. A perda ocorria em função das projeções das mudanças climáticas futuras.
Quanto menor o aumento da temperatura média global, menores se mostraram os impactos sobre a biodiversidade. No cenário de 1,5ºC, os risco para plantas e animais se mostrou a metade do que no cenário de 2ºC, e cerca de dois terços no caso dos insetos.
Os impactos seriam menores para espécies distribuídas em todo o mundo. No sul da África, na Amazônia, na Europa e na Austrália, a limitação do aquecimento traria benefícios para um maior número de espécies.
Os resultados do estudo sugerem que os insetos apresentam uma grande sensibilidade à mudança do clima. No cenário de 1,5ºC, das 31.000 espécies analisadas, 6% perderiam mais da metade da área do habitat atual. A proporção subiria para 18% no cenário de 2ºC.
Caso a trajetória atual de emissões de gases de efeito estufa permaneça inalterada, a temperatura subiria para 3ºC acima dos níveis pré-industriais. Nesse cenário, os pesquisadores projetaram que quase 50% das espécies de insetos perderiam mais da metade da área do habitat atual. Aqueles ligados à polinização seriam particularmente vulneráveis.
Evidências apontam para um declínio na população de insetos devido a outros fatores. O aquecimento global pode tornar o problema ainda mais grave.
Fonte: Universidade de East Anglia
Imagem: Pixabay
Menos aquecimento, menos prejuizo à biodiversidade
