Transporte marítimo precisa reduzir as emissões

Transporte marítimo precisa reduzir as emissões
O setor do transporte marítimo não foi incluído no acordo climático de Paris. No entanto, limitar o aquecimento global a menos de 2°C e, idealmente, a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, exigirá que o transporte marítimo corte suas emissões na mesma proporção dos demais setores da economia, aponta estudo de pesquisadores do Reino Unido.

Segundo o estudo,  o comércio internacional apresentou um crescimento sem precedentes no meio século anterior à crise financeira de 2008. As emissões da navegação internacional subiram em um ritmo mais lento, graças à ganhos de eficiência energética. Em 2012, as emissões do setor somaram 800 Mt de carbono, ou 2,2% do total global.

Apesar da relevância, ainda não existe um mecanismo de controle das emissões de dióxido de carbono - CO2 - pelo setor de transporte marítimo. Todavia, até 2023, o setor deverá negociar sua estratégia de redução de gases de efeito estufa.

De modo a explorar os desafios da mitigação enfrentados pelo transporte marítimo, o estudo avaliou diversos cenários comerciais futuros. Foram explorados os cortes necessários na emissão de CO2, a fim de que fossem alcançadas as metas do acordo de Paris.

O estudo se concentrou em alternativas de diminuição da intensidade de carbono do transporte marítimo. Entre as possibilidades de curto prazo, foram listadas ações como a mudanças na velocidade, tamanho e forma de utilização dos navios, ou a renovação da frota.

No entanto, a longo prazo o setor precisaria passar por uma descarbonização virtualmente completa. Uma alteração significativa e profunda, exigindo a substituição dos combustíveis fósseis por outras fontes alternativas de energia.

Mas ao menos por enquanto, alerta o estudo, não há soluções tecnológicas economicamente viáveis na escala necessária. Além disso, muitos combustíveis alternativos demandam a emissão de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida de sua produção.

Uma das possibilidades seria o retorno à propulsão pelo vento, fonte de energia livre de emissões e disponível gratuitamente. Sua adoção generalizada é ainda questionável.

De fato, o estudo identifica que o estágio de pesquisa e desenvolvimento de alternativas para o transporte marítimo ainda é incipiente. Os cientistas ressaltam a urgência em aumentar os investimentos em pesquisa na áreas, sob o risco de não se implementar as medidas necessários para mitigar o aquecimento global.

Mais informações: CO2 abatement goals for international shipping
Imagem: Unsplash/ Kinsey