Adaptação da pesca marinha às mudanças climáticas

Adaptação da pesca marinha às mudanças climáticas
A alocação de cotas de pesca entre os países pode se tornar obsoleta, sugere estudo de um time internacional de cientistas. Em resposta ao aquecimento global, as espécies marinhas exploradas pela indústria da pesca estão migrando.

De acordo com os cientistas, a água dos oceanos está se aquecendo. As condições ambientais se alteram, e os peixes, de modo a se adaptar, deslocam-se de áreas menos favoráveis para aquelas mais favoráveis.

O problema é que o manejo da pesca se baseia em normas de organizações nacionais e regionais, envolvendo, muitas vezes, mais de um país. As regras para estabelecer os volumes e cotas de pesca se baseavam no conhecimento dos hábitos das espécies, particularmente da região onde viviam e de seu deslocamento.

As alterações do oceano devido ao aquecimento global podem gerar conflitos. Foi o caso de uma disputa entre o Canadá e os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990. A temperatura das águas na região do Pacífico levou os salmões a mudar seus padrões de migração.

A indústria da pesca de cada país passou a capturar os peixes de forma a prejudicar a outra parte. A disputa só foi resolvida após seis anos, após a negociação de um novo acordo de manejo entre o Canadá e os EUA.

Em 2007, o estudo menciona outro exemplo de discordância, entre a Islândia e a União Européia.

Com o uso de um modelo computacional, os cientistas investigaram os impactos da alterações do oceano em 892 espéies de peixes distribuídas ao redor do mundo. Foi analisado um cenário no qual as emissões de gases do efeito estufa continuariam nos mesmo níveis atuais.

As projeções indicaram que, nas próximas décadas, diversas espécies de peixe se deslocarão em direção aos pólos. Com isso, 70 ou mais países irão dispor nas águas de sua zona econômica exclusiva marinha diversos estoques de peixes que não são encontrados atualmente.

Todavia, o sistema regulatório não está preparado para lidar com a alteração na distribuição regional das espécies marinhas. Crescerá o potencial de conflitos relacionados aos estoques pesqueiros transfronteiriços.

O estudo recomendou o desenvolvimento de um manejo da pesca flexível. Os países devem cooperar no sentido de estabelecer medidas de adaptação para o setor. Entre elas, por exemplo, o comércio de licenças de pesca ou de quotas através das fronteiras internacionais.

Caso contrário, a pesca pode se tornar um elemento de desgaste na relação entre os países. E a má gestão poderia levar à sobrepesca, colocando em risco espécies marinhas que já sofrem os impactos do aquecimento.

Fonte: Universidade de Columbia Britânica
Imagem: Unsplash/ Oziel Gómez