A parte leste da calota polar da Antártica se manteve estável nos últimos 8 milhões de anos, apontou estudo de um time de cientistas de universidades dos Estados Unidos e da Nova Zelândia. Dessa forma, o leste da Antártica deve se manter à medida que avança o presente aquecimento global.
O continente antártico é geograficamente dividido em duas partes pela cadeia de montanhas transantártica - também denominada de montes transantárticos. Com isso, a calota polar também está dividida em duas regiões. Aquela do oeste é menor e nela estão localizados os pontos com o maior derretimento observado atualmente.
No entanto, a maior extensão da calota polar da Antártica fica na região leste. O volume de gelo contido na parte leste do continente, caso derretido, teria o potencial de elevar o nível médio do mar em quase 54 metros.
Todavia, de acordo com o estudo, a projeção dos impactos do aquecimento na calota polar do leste da Antártica sofria uma limitação. Faltavam informações a respeito de como, no passado terrestre, o leste da Antártica respondeu a outros períodos quentes.
Para obter registros paleoclimatológicos, os cientistas coletaram sedimentos do fundo do mar nas região costeira da Antártica. Em laboratório, analisaram a concentração de isótopos de berílio-10 e alumínio-26 presente nos sedimentos. Esses isótopos se formam a partir da exposição da rocha aos raios cósmicos.
Os sedimentos se acumularam a partir do fluxo de material carregado no deslocamento das geleiras e águas do continente em direção ao mar ao longo de milhares de anos. Altas concentrações constituiriam indícios da ausência de gelo sobre o continente, expondo a rocha aos raios cósmicos. Baixas concentrações indicariam o contrário.
A análise da concentração de berílio-10 e alumínio-26 detectou níveis extremamente baixos em sedimentos datados dos últimos 8 milhões de anos. Consistem em evidências de que a calota polar no leste da Antártica se manteve estável durante todo o período.
Os cientistas analisaram com detalhes a época do Plioceno, entre 5,3 e 2,6 milhões de anos atrás. As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono - CO2 - estavam próximas dos níveis atuais, de 400 partes por milhão - ppm. Com isso, o sistema climático aqueceu, com aumento da temperatura média global.
Os dados sugeriram que, mesmo no Plioceno, a calota polar do leste do continente antártico não foi desestabilizada. Um dos motivos seria o fato de que, ao contrário do que se verifica na parte leste, a maioria das geleiras da calota polar do leste da Antártica está acima do nível do mar.
Por estarem situadas sobre a massa terrestre e não entrarem em contato direto com a água do oceano - à exceção de áreas costeiras -, as geleiras do leste da Antártica seriam menos vulneráveis ao aquecimento.
Apesar do estudo apontar para uma possível resiliência do leste da Antártica ao atual aquecimento global, a calota polar da região oeste está sofrendo os impactos. Junto com a Groenlândia, o seu derretimento tem o potencial de elevar o nível do mar em 20 metros no longo prazo, caso a temperatura média global continue subindo.
Fonte: Purdue University
Imagem: adaptado de National Geographic
Leste da Antártica pode resistir ao aquecimento
