Matriz elétrica brasileira reduzirá a pegada de carbono

Matriz elétrica brasileira reduzirá a pegada de carbono
A matriz elétrica brasileira deve diminuir sua pegada de carbono até 2021, sugere estudo de pesquisadores da Universidade Federal Tecnológica do Paraná. As maiores fontes de energia emissoras de dióxido de carbono - CO2 - consistiriam naquelas baseadas em combustíveis fósseis e nas hidrelétricas.

O estudo adotou o método de análise do ciclo de vida das fontes de energia que compunham a matriz energética do Brasil em 2014. Aplicou o mesmo método para a projeção de expansão até 2024, conforme apresentada pela Empresa de Pesquisa Energética - EPE -, do Ministério das Minas e Energia.

Segundo o estudo, o planejamento energético prevê um crescimento da potência instalada de quase 65% entre 2014 e 2024. A energia hidrelétrica continuará representando a principal fonte de eletricidade no país - somava, em 2014, 87.789 megawatts - MW. Em 2024, espera-se que o número passe para 117.972 MW.

Contudo, a participação das hidrelétricas na capacidade instalada total está prevista para diminuir até 2024. De aproximadamente 66% em 2014, deverá cair para cerca de 57% devido ao aumento de outras fontes de energia.

O planejamento brasileiro aposta em uma diversificação da matriz energética nacional, com ênfase em fontes renováveis, mas incluindo também não renováveis. Por exemplo, a capacidade instalada da energia eólica poderá subir de 5.000 MW em 2014 para 24.000 MW em 2024, e a de termelétricas à gás natural, de 1.043 MW para 21.219 MW. A participação da energia solar na capacidade instalada total, crescer de 0,36% para 3,38%.

A partir dos dados disponíveis sobre a capacidade instalada atual e futura, os pesquisadores calcularam o total de CO2 equivalente emitido ao longo de toda a vida útil das diversas fontes geradoras de energia. Foi considerada a quantidade de CO2eq. emitida em quilos por cada kilowatt-hora - kWh - de eletricidade produzida.

Os resultados indicaram em 2014 que a matriz energética brasileira respondeu por emissões totais de 118 milhões de toneladas de CO2eq. Até 2026, estimou-se um crescimento para 149 milhões de toneladas de CO2eq.

Entretanto, como a capacidade instalada expandiria em cerca de 56%, a quantidade de emissões por kWh de eletricidade gerada diminuiria. Passaria de 0,205 CO2eq./kWh em 2014 para 0,166 CO2eq./kWh em 2024. Portanto, apesar do crescimento em termos absolutos, a intensidade de carbono da matriz energética do Brasil cairia.

A redução da intensidade de carbono foi causada pela maior participação das fontes renováveis na geração de eletricidade prevista para 2024. Nesse sentido, o estudo ressaltou que reduções significativas de emissões poderiam ser alcançadas no curto prazo.

Para tanto, seria preciso investir especialmente em fontes eólicas e solares. Abundantes no Brasil, ambas as fontes tem o potencial de contribuir significativamente para mitigar as emissões da matriz elétrica nacional.

Mais informações: Carbon Footprint of Electricity Generation in Brazil: An Analysis of the 2016–2026 Period
Imagem: Alberto Coutinho/ Secom-BA