Os oceanos estão perdendo oxigênio sob a influência do aquecimento global. Mas as estimativas dos modelos climáticos subestimam a taxa com que o oxigênio dos oceanos está diminuindo, aponta estudo de cientistas de uma universidade da Alemanha.
De acordo com o estudo, as observações diretas dos oceanos mostram que a quantidade de oxigênio dissolvido nas águas tem diminuído. O principal motivo é o aquecimento do sistema climático terrestre.
Apesar dos modelos climáticos simularem corretamente a tendência do declínio do oxigênio nos oceanos, eles apresentam uma série de limitações. Não conseguem reproduzir os padrões de alteração da concentração de oxigênio em diferentes profundidades e subestimam a variabilidade temporal.
Por causa das limitações, os modelos simulam apenas cerca de metade da redução de oxigênio atual registrada a partir das observações. Uma análise de dados de 2017 detectou que, nos últimos 50 anos, a quantidade de oxigênio dos oceanos caiu aproximadamente 2%.
O estudo revisou a literatura científica a respeito dos complexos processos biológicos, químicos e físicos ligados à troca de oxigênio entre os oceanos e a atmosfera, descrevendo como eles variavam com a região geográfica e a profundidade das águas. A partir desse levantamento, analisaram como os processos são representados pelos modelos climáticos.
Uma forma direta do aquecimento global é a interferência na solubilidade do oxigênio. Quanto mais quente a água do oceano, menor será a concentração de oxigênio que poderá absorver. Segundo os cientistas, esse processo afeta principalmente as águas superficiais, em contato direto com a atmosfera, respondendo por aproximadamente 20% da perda de oxigênio observada.
Mas o aquecimento traz também interferências indiretas. Por exemplo, ao alterar os padrões da circulação e correntes oceânicas, altera-se a troca entre as camadas superficiais e profundas da água. Ao comparar as simulações com as observações, foram identificados os processos que precisam ser melhorados ou incluídos nos modelos.
A solução seria intensificar a pesquisa a respeito dos processos do oceano. Os cientistas afirmaram que, muitas vezes, os modelos apresentam limitações em função da falta de dados, ou mesmo de conhecimento, a respeito de muitos processos do oceano.
O aprimoramento dos modelos, além de oferecer melhores projeções a respeito do oxigênio dos oceanos em cenários futuros de aquecimento global, traria ainda outra vantagem. Melhoraria também a projeção da quantidade de dióxido de carbono - CO2 - absorvido pelos oceanos.
Modelos subestimam perda de oxigênio dos oceanos
