Propagação de impactos no comércio internacional

Propagação de impactos no comércio internacional
Os danos econômicos da intensificação das inundações, devido ao aquecimento global, podem afetar a economia mundial, aponta estudo de pesquisadores de universidades da Alemanha e dos Estados Unidos. Sem medidas de adaptação, os impactos locais das mudanças climáticas pode se alastrar para outros países em uma economia globalizada.

Segundo os cientistas, o riscos de enchente estão subindo por causa do aquecimento, com potenciais danos para as pessoas e a atividade produtiva. Nos próximos 20 anos, estima-se que as perdas econômicas, sem a implantação de medidas de adaptação, poderá subir mais de 15%.

Mas as implicações para a economia vão além dos impactos diretos das mudanças climáticas. Os cientistas investigaram os efeitos indiretos, como, por exemplo, escassez de oferta, mudanças na demanda, ou volatilidade de preços, considerando a interligação do comércio internacional.

O estudo se baseou em projeções de modelos computacionais de inundações de rios ao redor de todo o mundo, levando-se em conta a escala regional. O modelo abrangeu um cenário até 2035, explorando as alterações que ocorrerão em função apenas da quantidade de gases de efeito estufa emitida até o presente.

A partir das projeções de mudanças em eventos de inundações fluviais, os cientistas utilizaram um modelo econômico para avaliar a resposta da rede do comércio internacional aos impactos.

Estimou-se que, na ausência de ações de adaptação, as perdas econômicas diretas associadas às enchentes ultrapassariam 380 bilhões de dólares na China até 2035. O valor corresponderia a cerca de 5% da produção econômica anual do país.

Desse total, estimou-se que um pouco menos da metade - 175 bilhões de dólares - seria efeito das mudanças climáticas.

Ao contrário da China, a União Européia e os Estados Unidos sofreriam menores perdas econômicas diretas. Por exemplo, nos EUA elas poderiam chegar a 30 bilhões de dólares. Entretanto, ambos sofreriam com as perdas indiretas em função da conectividade da rede global de comércio e abastecimento.

No caso dos EUA, o estudo estimou que as perdas diretas poderiam chegar a 30 bilhões de dólares nos próximos 20 anos, enquanto que as perdas indiretas, a 170 bilhões. O país importa mais da China do que importa e, com isso, ficaria mais exposto à impactos na economia chinesa.

Por sua vez, a União Européia, por apresentar um comércio internacional mais equilibrado, estaria mais preparada para lidar com problemas na rede de comércio e abastecimento internacional.

Os cientistas argumentaram a favor da estratégia de fortalecimento do comércio global como modo de prevenir as perdas locais introduzidas pelas mudanças climáticas. Os países deveriam buscar uma conectividade econômica bem equilibrada e diversa, porque assim danos econômicos em uma parte do mundo poderiam ser compensados por outras regiões.

Eles também alertaram para o caráter conservador do estudo. Não foram incluídos outros impactos das mudanças climáticas, como aqueles ligados à ondas de calor ou eventos extremos. Além disso, do ponto de vista econômico, adotou-se uma perspectiva otimista quanto à flexibilidade e rapidez de troca de fornecedores afetados por enchentes por outros não afetados.


Fonte: PIK
Imagem: Unsplash/ Kyle Ryan