Adaptação das espécies depende da sensibilidade ao clima
A migração da fauna em resposta às mudanças climáticas depende da sensibilidade de cada grupo animal às alterações na temperatura e no ambiente, apontou estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e do Japão.
A pesquisa dos impactos do aquecimento global sobre a fauna usualmente consideram que as espécies irão se adaptar por meio da mudança de sua distribuição geográfica. Elas irão migrar de áreas cujo clima se tornou inadequado para áreas que mantiverem condições favoráveis.
Todavia, a resposta às alterações climáticas e ambientais pode depender da sensibilidade e tolerância de cada grupo animal. Mesmo frente a uma grande mudança no clima, um grupo pode continuar no mesmo habitat se tiver uma baixa sensibilidade.
De fato, atrasos na distribuição espacial de espécies terrestres e aquáticos, em relação ao aumento da temperatura de seus habitats, foram identificados por pesquisas anteriores.
Para investigar essa hipótese, os pesquisadores estudaram um conjunto de 21 espécies de peixes e invertebrados do leste do Mar de Bering, uma região do oceano Pacífico entre o Alasca, nos Estados Unidos, e a Sibéria, na Rússia.
O estudo identificou a distribuição das espécies na região entre os anos de 1993 e 2016. As fontes de informações incluíram coletas de exemplares na região, simulações de modelos computacionais de distribuição de espécies, e dados de satélite a respeito do variação climática.
Os pesquisadores identificaram as taxas de mudança climática registradas no Mar de Bering. Elas compararam a velocidade dessa mudaças com a mudança na distribuição das espécies, tanto a esperada pelas simulações dos modelos quanto a observada através da coleta de exemplares.
Os resultados mostraram uma baixa correlação entre a resposta esperada e registrada das espécies e a velocidade da variação climática. A maioria das espécies estudadas estava atrasada em relação às mudanças detectadas.
As projeções de impactos do aquecimento deve incorporar a sensibilidade específica de cada espécie à variação climática. A sensibilidade poderá condicionar não apenas a velocidade da migração da espécie para novas áreas, mas também aumentar seu grau de vulnerabilidade às mudanças climáticas futuras.
Esse conhecimento é importante para orientar os esforços atuais de conservação e manejo da fauna e o estabelecimento de medidas de adaptação adequadas.
Fonte: Universidade de Hokkaido
Imagem: NASA/GSFC/Jeff Schmaltz/MODIS Land Rapid Response Team
