O número de aparelhos de refrigeração pode quadruplicar até 2050, levando o consumo mundial de energia do setor a subir cinco vezes, apontou relatório de pesquisadores de uma universidade do Reino Unido. Mais refrigeração e mais consumo de energia implicariam em maiores emissões de gases de efeito estufa.
A refrigeração consiste em uma atividade fundamental para as sociedades modernas. Ela auxilia, por exemplo, na preservação de alimentos e remédios, e está presente em indústrias, comércio, em edificações e residências. Espera-se que seu uso seja intensificado à medida que avança o aquecimento global.
Temperaturas mais altas e ondas de calor mais frequentes elevarão a demanda por resfriamento nas próximas décadas. O relatório projetou que a quantidade de aparelhos de refrigeração em todo o mundo passará de 3,6 bilhões para 14 bilhões até 2050.
O crescimento da demanda de refrigeração entrará em conflito com as metas do acordo climático de Paris. A fim de limitar o aquecimento a 2oC acima dos níveis pré-industriais, o consumo total de energia para resfriamento deve ser de no máximo 6.300 TWh por ano em 2050. Mas a expansão projetada da refrigeração poderia levar o consumo a 19.600 TWh por ano.
Nesse cenário, ficariam comprometidas tanto as metas do acordo de Paris quanto as metas de desenvolvimento sustentável da ONU. E não há uma solução simples para o problema.
Pelo contrário, o relatório listou uma série de recomendações que implicariam em uma revolução não apenas no setor de refrigeração, mas também em outras atividades sociais. A solução envolveria o desenvolvimento de tecnologias de refrigeração de alta eficiência energética. A prática de manutenção precisaria ser revisada, de forma a garantir um desempenho ideal, e o desperdício, combatido.
A demanda de refrigeração precisaria ser restringida de outras maneiras. Uma delas diz respeito a novos projetos de construção, reduzindo a demanda das edificações por refrigeração artificial. Outra abrangeria uma abordagem integrada e sistêmica, por meio do planejamento e da adaptação dos sistemas urbanos e de transporte.
De acordo com os pesquisadores, não basta gerar mais eletricidade. Para os serviços que as sociedades precisam, deve-se identificar e desenvolver a forma de os fornecer com o menor impacto possível.
Fonte: Universidade de Birmingham
Mais informações: A cool world: defining the energy conundrum of cooling for all
Imagem: Pixabay
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