A mitigação das emissões de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis precisará ser mais rigorosa do que o atualmente previsto, sugere estudo de um time de cientistas de universidades do Reino Unido. As estimativas atuais não consideravam possíveis emissões de zonas úmidas e regiões de solos congelados.
A meta do acordo climático de Paris é manter a temperatura média global abaixo de 2°C até 2100, com esforços para que fique em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Cumprir a meta exigirá a eliminação das emissões provenientes de atividades humanas, em especial aquelas provenientes da queima de combustíveis fósseis, ao longo deste século.
Uma das questões mais discutidas pela ciência diz respeito à quantidade de gases de efeito estufa que ainda podem ser emitidos pelo uso de combustíveis fósseis, de modo a que não seja ultrapassada a meta do acordo de Paris. Essa quantidade é usualmente chamada de orçamento de carbono.
Uma das incertezas quanto ao orçamento de carbono está relacionada à quantidade de emissões originadas de fontes naturais. O aquecimento global pode levar muitas dessas fontes a aumentarem a quantidade de gases emitida ao longo deste século. O orçamento poderá ser maior ou menor, dependendo da maior ou menor contribuição futura das fontes naturais.
As zonas úmidas constituem uma importante emissora natural de metano - CH4 -, um potente gás de efeito estufa. O aumento das temperaturas pode elevar as taxas de emissão desses ecossistemas.
As regiões de solos congelados, por sua vez, são vulneráveis ao derretimento, com a possibilidade de emitirem dióxido de carbono - CO2 - e, em menores proporções, metano.
Os cientistas exploraram como as mudanças climáticas afetariam as zonas úmidas e as regiões de solos congelados, buscando identificar alterações nas taxas de emissão natural. A partir das projeções de emissão das fontes naturais, estimaram a quantidade de emissões humanas que seria compatível com o acordo de Paris .
Em um modelo climático, combinado com um modelo terrestre global - com detalhes das zonas úmidas e regiões de solos congelados -, foram realizadas diversas simulações de cenários nos quais a temperatura se estabilizaria em 1,5°C ou 2°C até 2100.
Para cada cenário, o modelo projetou a alteração das emissões das fontes naturais devido ao aumento da temperatura.
A resposta dos ecossistemas foi bastante semelhante entre os cenários, com elevação das emissões de gases de efeito estufa. O estudo estimou que, frente à maior contribuição das fontes naturais, o orçamento de carbono da queima de combustível fóssil seria menor do que o previsto atualmente.
No cenário de 1,5°C, o estudo calculou uma redução entre 17% e 23% no orçamento de carbono atual. A redução do ficaria entre 9% e 13% para o cenário de 2°C.
A resposta das fontes naturais pode tornar o cumprimento da meta do acordo de Paris significativamente mais desafiadora, principalmente a meta de 1,5°C. Os cientistas ressaltaram a urgência de diminuir rapidamente as emissões humanas.
Fonte: Centro de Ecologia e Hidrologia
Imagem: Freeimages
Emissões naturais aumentam o desafio do acordo de Paris
