Os incêndios e queimadas liberam dióxido de carbono - CO2 - para a atmosfera. Ao mesmo tempo, eles contribuem também para o sequestro de carbono, mostrou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos e da Suíça.
Ao queimar a vegetação e sua biomassa, o fogo emite carbono em forma de gás, contribuindo para o aumento das concentrações atmosféricas e a intensificação do efeito estufa.
Todavia, incêndios também produzem, a partir da combustão de matéria orgânica, resíduos de carbono negro. A quantidade de carbono negro pode corresponder a um terço do carbono total emitido.
Esse material cai sobre os solos, sendo transportado pelas chuvas para os rios e daí em direção aos oceanos. Dessa forma, os fluxos de carbono negro representam um importante reservatório de carbono de longo prazo.
Apesar da relevância, a pesquisa e os modelos computacionais do ciclo de carbono não levavam em consideração o carbono negro. Havia um lacuna em termos de informação a respeito de fluxos, estoques e tempo de permanência do carbono negro no meio ambiente.
Segundo os pesquisadores, o estudo constitui o primeiro levantamento global do fluxo de carbono negro pelos rios. Entre as bacias hidrográficas avaliadas estavam a Amazônica, a bacia do Congo, ou aquelas dos principais rios do Ártico.
O estudo identificou que o fluxo de carbono negro depende principalmente da taxa de erosão nas bacias de drenagem dos rios. Quanto mais sedimento transportado pelo rio até o oceano, maior foi a quantidade de carbono negro, formando-se um reservatório nos sedimentos marinhos.
Descobriu-se, no entanto, que parte do carbono negro pode permanecer armazenado nos solos, em rio ou lagos ao longo de milhares de anos antes de descerem em direção ao oceano. Ao avaliar a idade do carbono negro coletado nos rios, os pesquisadores identificaram material que havia sido no passado, com exemplos alcançando de 17 mil anos atrás.
Tal característica explicaria porque os rios, especialmente na região do Ártico, apresentaram um nível contínuo de carbono negro, independentemente da ocorrência de incêndios florestais. Uma vez produzido, o material pode envelhecer por milênios em reservatórios intermediários antes de serem exportados para os oceanos.
Os dados obtidos pelo estudo auxiliarão na melhor compreensão do ciclo de carbono terrestre. Também auxiliará no aprimoramento de modelos computacionais, de modo a reduzir as projeções futuras.
Fonte: Universidade de Zurich
Imagem: ETH Zürich/ Gabriela Santilli
O papel do carbono negro no ciclo global de carbono
