O aumento das concentrações de dióxido de carbono - CO2 - da atmosfera poderá alterar a química das plantas, com impactos indiretos sobre a fauna, apontou estudo de cientistas de uma universidade dos Estados Unidos.
O estudo investigou a relação entre borboletas monarcas e as espécies de plantas das quais a lagarta da borboleta se alimenta. As folhas dessas espécies contém toxinas que são absorvidas pelas lagartas, protegendo-as contra predadores e parasitas.
Pesquisas anteriores haviam identificado que níveis maiores de CO2 atmosférico interferiam na quantidade de toxinas das plantas. A fim de investigar melhor a relação entre o gás de efeito estufa e a química das plantas, bem como impactos indiretos sobre as borboletas, os cientistas desenvolveram um experimento de laboratório ao longo de 2014 e 2015.
Dentro de 40 câmaras de crescimento, eles cultivaram 4 espécies de plantas em dois níveis diferentes de CO2. A metade foi exposta à concentração atual de cerca de 400 partes por milhão - ppm, enquanto a outra metade foi submetida ao dobro das concentrações, 760 ppm.
Os cientistas então alimentaram grupos distintos de lagartas da borboleta monarca com uma dieta baseada em uma única espécie, considerando separadamente se a planta havia crescido sob menores ou maiores concentrações de CO2.
As lagartas foram infectadas com um pequeno protozoário, parasita da borboleta monarca. O protozoário pode reduzir a vida adulta da borboleta, impedir sua capacidade de voar e afetar o número de descendentes. A toxina presente nas plantas auxilia as lagartas a controlarem o parasita.
Depois das lagartas se transformarem em borboletas adultas, os cientistas contaram o tempo de vida de cada uma delas. Após a morte das borboletas, eles também identificaram a quantidade de esporos do parasita presente em cada borboleta.
Dessa forma, o estudo detectou, para os diferentes níveis de CO2, as concentrações de toxinas nas folhas das 4 espécies de plantas e a susceptibilidade das borboleta à infecção pelo parasita.
A quantidade de toxina presente nas folhas das plantas diminuiu em um ambiente mais rico em CO2. A redução se deu de modo particularmente mais significativo na espécie que apresentava anteriormente as maiores quantidades de toxinas.
Com isso, as propriedades medicinais das folhas foi reduzida. Em consequência, a tolerância das lagartas ao parasita diminuiu. A expectativa de vida das borboletas adultas registrou uma queda de uma semana - em condições normais, elas vivem por cerca de um mês.
Os cientistas afirmaram que as alterações nas concentrações atmosféricas de CO2 podem interferir na propriedade medicinal das plantas. Um efeito indireto se observaria nas interações parasita-hospedeiro daqueles animais que se alimentam dessas plantas.
Fonte: Universidade de Michigan
Imagem: Pixabay
Propriedade medicinal das plantas é afetada pelo CO2
