Estudo de pesquisadores australianos afirmou ter identificado a causa por trás de um aumento súbito das concentração atmosféricas de dióxido de carbono - CO2 -, no fim da última era glacial.
Há cerca de 16 mil anos atrás, quando o planeta começava a sair do período glacial, ocorreram dois episódios de aumento abrupto do CO2 atmosférico. No total, as concentrações subiram aproximadamente 40 partes por milhão - ppm - em menos de 100 anos, contribuindo para o aquecimento global.
Os episódios são denominados como evento 1 de Heinrich. Junto com o aumento do CO2 atmosférico, os dados paleoclimáticos indicam um aumento da temperatura na Antártica em cerca de 5°C e da temperatura das águas do oceano em 3°C.
Também caracterizaram o evento 1 de Heinrich alterações nas correntes oceânicas, na cobertura de gelo e no nível médio do mar.
A fim de explorar a origem do aumento do dióxido de carbono, os pesquisadores utilizaram um modelo climático. Eles conseguiram simular com sucesso o conjunto de características que marcaram o evento 1 de Heinrich, identificando o possível mecanismo por trás das emissões de CO2.
As simulações do modelo replicaram uma contração e fortalecimento do padrão circular de ventos de oeste ao redor do continente antártico. O fenômeno seria muito semelhante àquele observado atualmente, provocado pelo atual aquecimento global.
A alteração contínua do padrão dos ventos causaria um efeito dominó, levando às mudanças registradas no evento 1 de Heinrich. Os ventos mais fortes interferiram na circulação e transporte de água entre bacias oceânicas. Ao longo da costa da Antártica, elevou-se o fluxo de água da superfície em direção ao fundo do oceano.
Esse efeito das circulação de água ao redor da Antártica, em combinação com o fortalecimento dos ventos, intensificaria o fluxo de águas ricas em carbono do fundo do Oceano Pacífico para a superfície do Oceano Sul. Uma vez na superfície, essa águas teriam liberada, em algumas décadas, aproximadamente 100 gigatoneladas de carbono para a atmosfera.
Em 2016, as emissões globais de CO2 somaram cerca de 36 gigatoneladas de carbono.
Os pesquisadores apontaram o importante papel do oceano antártico no sistema climático terrestre. Em particular, para a troca de carbono entre o oceano e a atmosfera.
Tendo em vista que a mesma contração se observa no presente, possivelmente influenciada pelo aquecimento global, as implicações para as concentrações de CO2 atmosférico pode ser significativa.
Eles alertaram para a necessidade de monitorar as alterações no oceano antártico, a fim de acompanhar as tendências futuras.
Fonte: UNSW
Imagem: Flickr/ Jack P.
Ventos do sul e o fim da última glaciação
