A acidificação das águas dos oceanos exigirá o planejamento e a implementação de medidas de mitigação e adaptação, afirmou estudo de pesquisadores da Tasmânia. As medidas serão necessárias para compensar os impactos negativos em escalas locais a regionais.
Além do aquecimento global, as emissões humanas de dióxido de carbono - CO2 - provocam a alteração da química da água dos oceanos. Parte do CO2 emitido por atividades como a queima de combustíveis fósseis é absorvida pelos oceanos, alterando o pH.
Segundo o estudo, no último século o pH dos oceanos diminuiu a uma velocidade dez vezes maior do que o registrado nos últimos 300 milhões de anos. Os efeitos dessa alteração começam a se fazer sentir em todo o mundo.
Mas analisar os efeitos da acidificação constitui uma área de pesquisa relativamente nova, disseram os pesquisadores. A mudança do pH das águas ocorre em taxas diversas ao redor do planeta, com grande variabilidade local e regional.
Além disso, outros processos dinâmicos afetam os oceanos, como a circulação, a temperatura, ou os ecossistemas marinhos. Os efeitos da acidificação irão acontecer inseridos nessa gama complexa de fatores, o que torna seu estudo ainda mais desafiador.
O panorama atual aponta para impactos amplos e diversos. Uma estimativa calculou que os danos econômicos da acidificação associados à degradação dos recifes de coral, ao setor da pesca silvestre e da aqüicultura poderia chegar a mais de US$ 300 bilhões por ano.
Programas de adaptação tem sido implementados em algumas regiões, como o Chile e a costa oeste dos EUA, ressaltaram os pesquisadores. Elas tiveram origem em parcerias entre a ciência, a indústria e o governo. Tais programas precisarão se expandir a outras áreas do planeta, e ser implementados em nível internacional.
Uma questão importante é que mesmo em um cenário de fortes mitigações da emissão de CO2, a acidificação será duradoura. Isso se deve em função das altas concentrações do gás atualmente presentes na atmosfera e nos oceanos.
A comunidade científica precisa aprofundar as observações e a pesquisa a respeito dos possíveis impactos da alteração do pH marinho. Com isso, em conjunto com governos e comunidades, medidas adequadas para lidar com os desafios futuros poderão ser elaboradas.
Fonte: Universidade da Tasmania
Imagem: Pixabay
Acidificação do oceano exigirá adaptação
