O ciclo do carbono no Ártico está se acelerando, com possíveis implicações sobre as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, identificou estudo de um time internacional de pesquisadores.
Nas últimas décadas, a região do Ártico tem experimentado alterações sem precedentes devido ao aquecimento global. Uma delas são mudanças rápidas nos ecossistemas, abrangendo a expansão da cobertura arbustiva, maior produtividade da vegetação ou o derretimento dos solos congelados.
Essas mudanças influenciam os fluxos de carbono entre os ecossistemas e a atmosfera. De um lado, o crescimento da vegetação aumenta o sequestro de CO2 atmosférico. De outro lado, a degradação e o aquecimento dos solos promovem a liberação do gás de volta para a atmosfera.
Segundo o estudo, o balanço de carbono do Ártico ainda é incerto, prejudicando a realização de projeções a respeito de suas emissões futuras e, dessa forma, de como o sistema climático será afetado. A região apresenta um enorme potencial de emissões de gases de efeito estufa, estimada entre 50 a 200 petagramas de carbono.
A fim de investigar as modificações em curso na região, os pesquisadores combinaram mais de 40 anos de medições das concentrações superficiais de dióxido de carbono - CO2 - em uma região no Alasca com um modelo computacional. Dessa forma, foi possível simular os fluxos de carbono da região ao longo do tempo.
A análise indicou que o carbono permanece cerca de 13% menos tempo armazenado nos solos congelados dos ecossistemas de tundra do que permanecia há 40 anos atrás. Os fluxos de carbono da região estariam se acelerando. O ritmo atual se assemelhava mais ao de uma floresta boreal do que ao do ecossistema do Ártico.
Os pesquisadores sugeriram que os resultados apontam que uma transformação do ecossistema está em curso na região. Isso inclui, por exemplo, a substituição da vegetação do tipo tundra por arbustos e árvores. E também o ciclo de carbono.
A previsão é de que as alterações no ciclo de carbono do Ártico influenciem cada vez mais as concentrações atmosféricas de CO2 no futuro próximo. Com isso, interferirá na taxa de aquecimento global do planeta.
Fonte: NASA
Mais informações: Jeong, Su-Jong, et al. "Accelerating Rates of Arctic Carbon Cycling Revealed by Long-Term Atmospheric CO2 Measurements." Science advances 4.7 (2018): eaao1167.
Imagem: Freeimages
Ciclo de carbono do Ártico está se acelerando
