Segundo os pesquisadores, a maior vulnerabilidade de crianças e adolescentes se deve a suas diferenças anatômicas, cognitivas, imunológicas e psicológicas. Há cerca de 2,3 bilhões de crianças no mundo que enfrentarão os impactos do aquecimento global, como inundações, secas ou ondas de calor.
O estudo revisou a literatura científica a respeito da relação das crianças com os eventos climáticos, sugerindo medidas para a adaptação.
A pequena relação superfície-corpo de bebês e crianças as tornam especialmente vulneráveis à desidratação e estresse por calor. As crianças também apresentam maior propensão a doenças respiratórias, doença renal, desequilíbrio eletrolítico e febre durante ondas de calor.
O agravamento de alérgenos e poluição provocado por ondas de calor afetam as crianças mais gravemente do que os adultos.
O aumento das temperaturas também pode interferir na incidência de doenças transmitidas por vetores. É o caso, por exemplo, dos vírus da zika e da dengue, cujo vetor é o mosquito Aedes Aegypt.
Os pesquisadores também citaram pesquisas que apontam um aumento na intensidade de furacões no oceano Atlântico. Em 2017, dois potentes furacões forneceram exemplos dos impactos específicos que eventos climáticos extremos possuem sobre as crianças.
Depois da passagem do furacão Maria por Porto Rico, verificou-se um crescimento na gastroenterite, nas exacerbações da asma e nas infecções da pele entre crianças. Elas ficaram expostas a um maior risco de infecção por chikungunya e dengue, bem como leptospirose através do consumo de água contaminada.
O furacão Harvey trouxe chuvas recordes e inundações para o estado do Texas, nos Estados Unidos. As águas foram contaminadas por esgotos sanitários e efluentes químicos tóxicos. As implicações a longo prazo para a saúde das crianças ainda são desconhecidas.
Outra forma de vulnerabilidade se encontra na área rural. As secas podem interferir no desenvolvimento infantil ao prejudicar a segurança alimentar, levando a mudanças na dieta das crianças. Ou então constituir um dos fatores que levam a conflitos e à migração forçada.
Uma das medidas sugeridas pelo estudo foi a instituição de um consórcio internacional de especialistas voltado para a necessidades das crianças frente a eventos climáticos. O papel do consórcio seria estabelecer agendas de pesquisa e desenvolver protocolos médicos e comportamentais.
Outras ações incluiriam a elaboração de diretrizes associadas à mudança climática e a saúde das crianças, ou a introdução do tema em mecanismos de financiamentos de ações de adaptação.
Fonte: Universidade de Columbia
Mais informações: Stanberry, L. R., Thomson, M. C., & James, W. (2018). Prioritizing the needs of children in a changing climate. PLoS medicine, 15(7), e1002627.
Imagem: Flickr/ Texas Military Department
