Segundo o artigo, as florestas tropicais possuem um papel crítico no ciclo de carbono e, consequentemente, nas concentrações atmosféricas de dióxido de carbono - CO2. Elas representam tanto uma fonte significativa de emissões, devido ao desmatamento e à queimadas, quanto um sumidouro de carbono, sequestrando o CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese.
Estima-se que entre 1960 e 2015, as emissões provenientes de atividades humanas - principalmente da queima de combustíveis fósseis - totalizaram 408 bilhões de petagramas de carbono. Contudo, a quantidade de CO2 presente na atmosfera subiu apenas 180 bilhões de PtC no mesmo período.
Portanto, cerca de 55% do carbono emitido pelas atividades humanas foi absorvido por três principais elementos do sistema climático: os oceanos, as florestas do hemisfério norte e as florestas tropicais. O sequestro de carbono da atmosfera reduziu a magnitude do aquecimento.
Embora existam incertezas, usualmente se atribui às florestas tropicais entre um quarto e um terço do total do carbono sequestrado. Mas o artigo ressaltou que a absorção das florestas varia de ano para ano, podendo mesmo se reverter em fontes de emissão durante anos mais quentes.
Atualmente, acredita-se que as florestas tropicais absorvem carbono em quantidades iguais ao emitido por ações de alteração do uso e ocupação do solo. Entre elas, o desmatamento da vegetação para dar lugar a atividades agropecuárias e minerárias, ou a degradação, por meio da retirada de árvores para exploração comercial ou energética.
Contudo, à medida que avança o aquecimento global e aumentam as temperaturas, as florestas podem perder a capacidade de sequestrar o carbono da atmosfera, convertendo-se em fontes emissoras.
Se a situação presente continuar inalterada, o desmatamento das florestas continuará ao longo deste século. Ao mesmo tempo, o aquecimento intensificará a frequência e intensidade de secas e aumentará ainda mais as temperaturas.
Nesse cenário, as florestas tropicais provavelmente liberarão cada vez mais CO2. Isso poderia inviabilizar o cumprimento da meta principal do acordo climático de Paris, limitando o aumento da temperatura média global a menos de 2oC acima dos níveis pré-industriais.
A alternativa seria inverter a governança das florestas tropicais. Além de frear o desmatamento e a degradação, permitir a recuperação natural e promover o reflorestamento. Esse outro cenário poderia garantir que as florestas tropicais intensificassem o sequestro de carbono da atmosfera, assumindo um papel extremamente relevante para o sucesso do acordo de Paris.
O pesquisador alertou para a urgência no investimento em pesquisas sobre as florestas tropicais. Deve-se melhorar as informações espaciais sobre como elas estão mudando, bem como realizar experimentos de campo para avaliar como responderão às mudanças climáticas e de uso da terra.
Mais informações: Mitchard, E. T. (2018). The tropical forest carbon cycle and climate change. Nature, 559(7715), 527.
Imagem: Flickr/ NASA - queimadas ao longo do rio Xingu

