A capacidade dos solos em sequestrar o metano da atmosfera, um poderoso gás de efeito estufa, pode ter sido superestimada em até 50%, identificou estudo de cientistas de universidades da China e dos Estados Unidos.
O estudo investigou quais fatores influenciam a absorção de metano pelos solos florestais. O objetivo foi investigar como elementos como a temperatura, os nutrientes ou as chuvas afetavam a troca de gases entre os solos e a atmosfera ao longo do tempo.
Foram avaliadas em laboratório amostras de solos coletados em duas florestas localizadas nos Estados Unidos. Em uma delas, o estudo durou 14 anos, enquanto que na outra, 18 anos. O monitoramento abrangeu a concentração de metano e de nitrogênio nas amostras, bem como variáveis climáticas como a temperatura e as chuvas.
Ao longo do estudo, as concentrações atmosféricas de metano e a temperatura média da região das florestas subiram, e a deposição de nitrogênio nos solos caiu. A conjunção desses fatores deveria ter provocado um aumento na absorção de metano pelos solos.
Mas o contrário aconteceu. Em uma das florestas, detectou-se uma redução na absorção de metano pelos solos florestais entre 53% e 62% ao longo do período do estudo. Na outra, a diminuição variou entre 74% e 89%.
Os cientistas então analisaram 317 artigos científicos, publicados revisados entre 1987 e 2015, cujo tema era a absorção de metano pelos solos de florestas de médias a altas latitudes. A partir dos dados levantados pelos artigos, estimou-se uma média anual global de sequestro de metano ao longo do tempo.
Mundialmente, verificou-se que a absorção de metano pelos solos de florestas de altas latitudes caiu em 77%. Os declínios mais intensos foram observados em florestas localizadas entre as latitudes 0 a 60° N. Nessa região, registra-se um crescimento constante dos índices de precipitação, uma mudança climática atribuída ao aquecimento global.
Não apenas na região do estudo, mas globalmente, as florestas de média a alta latitude do hemisfério norte estavam absorvendo menos metano da atmosfera. O principal fator por trás dessa tendência seria o aumento da precipitação.
O sequestro de metano pelos solos se dá através de bactérias chamadas metanotróficas. Elas tem acesso ao metano através da difusão nos solos das concentrações presentes na atmosfera. Quando os solos se tornam úmidos, a difusão do metano atmosférico nos solos é inibida, reduzindo a ação bacteriana.
Caso o regime de precipitação continue sendo alterado pelo aquecimento global, reduções ainda maiores na capacidade dos solos florestais absorverem o metano poderão ser registradas.
De acordo com os cientistas, as projeções globais de concentrações atmosféricas de metano superestimam o papel dos solos florestais. As concentrações atmosféricas no futuro podem subir mais do que o previsto pelos modelos climáticos.
Limitar o aquecimento global implicará também na mitigação das emissões de metano. Com as mudanças no clima, os ecossistemas florestais também estão se alterando, com a capacidade de sequestro de metano diminuída. Conhecer essas respostas é fundamental para planejar medidas de gerenciamento.
Fonte: Instituto Cary
Imagem: Pixabay
Mudanças climáticas fazem as florestas absorverem menos metano
