Pessoas que mostram compromisso com valores democráticos tendem a apresentar maior preocupação com as mudanças climáticas, concluiu estudo de pesquisadores dos Estados Unidos. A exceção ocorre nos países ocidentais de língua inglesa, nos quais a identificação partidária e a ideologia política são fatores mais importantes.
Limitar o aquecimento global irá exigir uma forte determinação política, alertou o estudo. Mas a ação dos governos depende da opinião pública, e substanciais minorias ainda acreditam que a mudança climática é uma farsa ou não constitui uma ameaça.
Na literatura científica, crescem o número de pesquisas a respeito dos fatores que separam aqueles que levam as mudanças climáticas a sério daqueles que duvidam de sua existência. Nos Estados Unidos, onde esse tipo de pesquisa se concentra, identificou-se que a ideologia política e a identificação partidária impulsionam a opinião sobre a mudança climática.
Outros fatores ligados à propensão em se preocupar ou não com o aquecimento global são gênero, idade, nível de educação e renda, e crença religiosa.
Fora dos Estados Unidos, no entanto, informações da relação entre a opinião das populações sobre as mudanças climáticas eram limitadas. Para investigar os determinantes da preocupação com as mudanças climáticas no resto do mundo, os pesquisadores se basearam em um levantamento realizado em 36 países.
O estudo explorou a associação com variáveis políticas, gênero, educação, idade, renda e religiosidade. A identificação partidária foi um fator relevante somente em países de língua inglesa, como a Austrália, o Canadá, os Estados Unidos e o Reino Unido, e na Alemanha e em Israel.
Ideologia política, gênero, educação, idade e renda também não se mostraram consistentes na associação com as opiniões sobre as mudanças climáticas. A religiosidade, por sua vez, consistiu em um forte preditor de preocupação com a mudança climática. Em geral, quanto mais religiosa a pessoa, menor a percepção de riscos climáticos.
Entre todos os elementos considerados na pesquisa, os valores democráticos, no entanto, revelam-se como o fator mais importante em todo o mundo. Pessoas que manifestavam a crença em eleições livres, liberdade de religião, direitos iguais para as mulheres, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e falta de censura na Internet, também manifestavam maior preocupação com as mudanças climáticas.
No Brasil, a preocupação com as mudanças climáticas esteve fortemente associada aos valores democráticos. Em menor medida, com a religiosidade. O principal fator associado à negação do aquecimento global consistiu na identificação partidária e ideologia política.
Os pesquisadores recomendaram mais pesquisas em outros países além dos Estados Unidos. O conhecimento da opinião pública pode ajudar os formuladores de políticas na elaboração de medidas de mitigação.
Mais informações: Lewis, G.B., Palm, R. and Feng, B., 2018. Cross-national variation in determinants of climate change concern. Environmental Politics, pp.1-29.
Imagem: Pixabay
A ligação entre democracia e mudanças climáticas
