Produção de frutos do mar sob o impacto do aquecimento

Produção de frutos do mar sob o impacto do aquecimento
A aquicultura marinha, como a criação de peixes e ostras, começa a sofrer os efeitos do aquecimento global e poderá ter a produção ainda mais afetada no futuro, relatou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

O setor de aquicultura marinha apresenta as maiores taxas de expansão no setor de alimentos. A sua contribuição para a produção mundial de frutos do mar supera a da pesca extrativa. A aquicultura tem sido percebida como uma atividade importante para garantir a segurança alimentar no futuro.

Todavia, segundo o estudo havia uma lacuna na pesquisa científica a respeito das consequências das mudanças climáticas para a aquicultura marinha. Em geral, as avaliações se concentraram nos impactos sobre a pesca ou sobre os cultivos agrícolas.

Os pesquisadores utilizaram um modelo computacional para mapear e investigar a interferência que o aquecimento das águas dos oceanos traria para a produção de aquicultura. Foi adotado um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, considerando-se o período até 2100.

A análise se baseou em dados de tolerância térmica e crescimento de 180 espécies de peixes e de bivalves - como o mexilhão. Outros fatores incluídos no estudo foram a acidificação dos oceanos e os impactos na comunidade de algas.

Observou-se que a aquicultura marinha tem sido afetada pelo aquecimento global. Na maior parte do mundo, essa tendência deverá piorar em um cenários sem redução das emissões. Para os pesquisadores, apesar dos incentivos destinados à expansão da aquicultura marinha, poucas medidas de adaptação estão em desenvolvimento.

No cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, as projeções do estudo apontaram para um diminuição geral na produção de frutos do mar pela aquicultura ao longo do século. A produtividade poderá se tornar irregular em função das condições variáveis ​​do oceano.

Mas os impactos se distribuirão de forma desigual, com regiões favorecidas e outras prejudicadas. Exemplo do primeiro caso seriam as águas sub-polares, como aquelas próximas da Noruega, nas quais o aumento da temperatura da água beneficiaria a criação de peixes.

Por sua vez, Bangladesha, China, Indonésia e outros países localizados nos oceanos Índico e Pacífico sofreriam grandes impactos. A região responde atualmente por 90% da produção mundial da aquicultura marinha. Sem medidas de adaptação, estimou-se quedas de até 30% em algumas áreas até meados do século.

A região correria também o risco de se tornar inapta à criação de bivalves. As perdas corresponderiam a uma queda significativa na disponibilidade global de frutos do mar, colocando em risco a subsistência das pessoas do Indo-Pacífico.

Entre as medidas de adaptação às mudanças climáticas, o estudo indicou a transferência dos locais de criação para águas oceânicas mais favoráveis. Deve-se planejar a atividade de modo flexível, de modo a permitir a transferência da atividade de uma área para outra.

Essa forma de adaptação dependerá, em grande medida, do tamanho das Zonas Econômicas Exclusivas - ZEEs - dos países. Aqueles com ZEEs mais extensas, possuirão uma capacidade maior de movimentar as fazendas de aquicultura para se adaptar às novas condições.

Os pesquisadores ressaltaram a importância de produtores e governos incorporarem os possíveis impactos das mudanças climáticas no planejamento e gestão da aquicultura. É preciso agir agora para minimizar os prejuízos no futuro.

Fonte: Universidade da Califórnia
Imagem: Pixabay