Aquecimento agravará escassez hídrica em Tacaimbó

Aquecimento agravará escassez hídrica em Tacaimbó

Os efeitos do aquecimento global poderão inviabilizar diversos tipos de cultivo no município de Tacaimbó, no estado de Pernambuco. A conclusão foi de um estudo realizado por cientistas da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

O estudo se baseou na análise dos impactos futuros do aquecimento global sobre o balanço hídrico do município. Foram considerados um cenário otimista de emissões de gases de efeito estufa e outro pessimista.

O balaço hídrico consiste no cálculo de todos os ganhos e perdas de água nos solos ou na bacia hidrográfica de uma determinada região, em um determinado período de tempo. Ele inclui o levantamento da quantidade de chuvas, da água utilizada na irrigação, o escoamento de água superficial - por rios e córregos - e subterrânea, dos aquíferos e da evapotranspiração das plantas.

Dessa forma, o balanço hídrico representa um indicador da disponibilidade de água em uma área. Ele auxilia no planejamento e gestão de usos múltiplos da água, como, entre outros, o abastecimento humano e a agricultura.

Pesquisas anteriores haviam apontado para potenciais impactos de cenários futuros de mudanças climáticas em outros municípios do nordeste brasileiro, como Bom Jesus, no Piauí, ou Cabaceiras, na Paraíba. De forma geral, os impactos teriam origem na combinação do aumento das temperaturas médias e na queda da precipitação.

A fim de avaliar o caso do município de Tacaimbó, os cientistas utilizaram séries de dados mensais e anuais de precipitação e temperatura do ar entre 190 e 2015. Os dados foram fornecidos pela Agência Estadual de Água e Clima de Pernambuco.

Gráfico do balanço hídrico mensal do município de Tacaimbó. Cor verde indica reposição de água, cor vermelha, déficit de água, e cor rosa, retirada de água. Fonte: figura 5 do estudo.

As projeções do cenário otimista abrangeram um aumento de 1°C na temperatura média e declínio em 10% na quantidade de chuvas. O balanço hídrico do município seria profundamente afetado. Os déficits hídricos subiriam, com desastres nos níveis dos reservatórios, no agronegócio, na agricultura e pecuária, entre muitas outras áreas.

No cenário pessimista, a temperatura média se elevaria em 4°C, com quedas na precipitação de 20%. A escassez de água se tornaria ainda mais dramática. O abastecimento diário da população dependeria de água armazenada das chuvas. O setor agrícola precisaria utilizar sementes resistentes à baixos índices de chuvas.


O gráfico superior mostra o balanço hídrico calculado para o cenário otimista. O gráfico inferior, para o cenário pessimista. Fonte: figuras 6 e 7 do estudo.

A conclusão do estudo foi de que, em ambos os cenários, a quantidade de chuvas cairia para níveis em que vários tipos de culturas se inviabilizariam. Com isso, não seria possível desenvolver mais a prática da agricultura de sequeiro, na qual se utiliza a água da chuva para irrigação, comum no Nordeste.

Para se adaptar às mudanças climáticas, o estudo recomendou o planejamento e implantação de um sistema de armazenamento de águas da chuva. Incluiria, por exemplo, a construção de tanques e outras estruturas. Com isso, seria possível minimizar futuros impactos.


Mais informações: de Medeiros, R. M., de Holanda, R. M., & Vilar, H. N. (2018). Climate change in Tacaimbó-PE, Brazil. Journal of Hyperspectral Remote Sensing v, 8(2), 60-66.
Imagem: figura 1 do estudo - mapa de localização de Tacaimbó no estado de Pernambuco