Ecossistemas do norte absorvem menos carbono

Ecossistemas do norte absorvem menos carbono
As alterações observadas na fenologia das plantas do hemisfério norte do planeta pode diminuir sua capacidade de sequestrar dióxido de carbono - CO2 - da atmosfera, apontou estudo de um time internacional de cientistas.

Entre as mudanças climáticas em curso ao redor do mundo, inclui-se a alteração da duração das estações do ano no hemisfério norte. Segundo o estudo, as primaveras mais quentes em geral antecipam o estágio de crescimento da vegetação. Em resposta, registra-se um aumento da produtividade dos ecossistema naturais no início da primavera.

A hipótese era de que, com a expansão da primavera, as plantas estariam absorvendo uma quantidade maior de CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese. Elas teriam mais tempo para crescer e para produzir biomassa. Com isso, contribuiriam para mitigar o aquecimento global.

Todavia, algumas pesquisas de campo levantaram evidências de que a antecipação e aquecimento da primavera pode provocar redução da produtividade das plantas durante o verão e o outono. A compreensão desse efeito negativo era muito limitada.

A fim de investigar o efeito adverso sobre a vegetação, o time de cientistas utilizou imagens de satélite combinadas com observações em campo e modelados computacionais. A análise cobriu o período entre 1982 e 2011, examinando toda a superfície terrestre localizada ao norte do paralelo 30 norte, do sul da Europa e do Japão para as regiões mais ao norte da tundra.

O estudo descobriu que a vegetação no hemisfério norte se torna mais verde durante a primavera, quando as temperaturas sobem. No entanto, a situação contrária pode ocorrer no verão e no outono, provocando uma redução da quantidade de CO2 absorvido.

Verificou-se a presença de respostas contrastantes na produtividade das plantas ao aquecimento da primavera. Os resultados indicaram que cerca de 15% da área analisada, por volta de 41 milhões de quilômetros quadrados, sofre com os efeitos adversos.

Por sua vez, somente 5% da área total de vegetação analisada se beneficiava do aquecimento da primavera, aumentado a produtividade no verão e no outono.

A altitude e o padrão sazonal de chuvas consistiram nos principais fatores por trás da ocorrência dos efeitos adversos sobre as plantas. Uma possível explicação está associada ao estresse hídrico. O maior crescimento da vegetação na primavera elevaria a transpiração e a demanda por água. O teor de umidade do solo diminuiria ao longo do tempo, levando a escassez no verão e no outono.

Dessa forma, o estudo constatou que para diversos ecossistemas do hemisfério norte o aumento da produtividade na primavera é compensado pela diminuição no verão e outono.

Os modelos climáticos atuais não retratam adequadamente os efeitos adversos da antecipação da primavera sobre a vegetação. Eles precisarão ser aprimorados, pois estão superestimando a quantidade de carbono que os ecossistemas terrestres do hemisfério norte poderão absorver no futuro.


Fonte: TU Wien
Imagem: Pixabay