O mais importante componente do sistema climático, o oceano representa o maior habitat do planeta, abrigando uma grande biodiversidade de vida. Ele desempenha um papel fundamental nos processos do sistema climático. É também uma fonte decisiva para a segurança alimentar e para inúmeras atividades econômicas.
De acordo com o artigo, à medida que avança o aquecimento global, as alterações no oceano irão se tornar cada vez mais acentuadas. Elas incluem a elevação da temperatura, a acidificação das águas, a desoxigenação e o aumento do nível médio do mar.
Mesmo em cenários em que as metas do acordo climático de Paris sejam alcançadas, limitando-se o aquecimento, prevê-se a ocorrência de impactos em escala local. Sob qualquer situação futura, haverá a necessidade de executar de medidas de adaptação adequadas.
Mas as políticas climáticas tem se concentrado em medidas baseadas em terra, ressaltaram os cientistas, dando pouca atenção ao potencial do oceano. Estima-se que aproximadamente 25% das emissões humanas de gases de efeito estufa sejam absorvidas pelo oceano. A quantidade sequestrada poderia ser bem superior.
Além disso, ações baseadas no oceano contribuiriam para reduzir a taxa de aquecimento e acidificação das águas, ou o aumento do nível do mar. Elas até poderiam cumprir um papel importante na limitação do aquecimento global.
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| Medidas baseadas no oceano. Fonte: figura 2 do artigo. |
Nesse sentido, o artigo avaliou, a partir de critérios ambientais, tecnológicos, sociais e econômicos, um conjunto de 4 grupos de medidas, divididos em 13 diferentes tipos. Foram considerados os efeitos de cada uma para mitigar o o aquecimento dos oceanos, a acidificação e o aumento do nível do mar. A análise abrangeu os ecossistemas de recife de coral, de manguezais e salina, de campos de ervas marinhas e do Ártico.
Todas as medidas apresentaram fatores pró e contra. A escolha pelo tipo de medida deve ir além da eficácia na limitação do aquecimento global ou da relação custo-benefício. Deve incluir múltiplos fatores, como, por exemplo, viabilidade e governabilidade.
Os cientistas identificaram que medidas com eficácia na limitação do aquecimento global traziam efeitos colaterais negativos, particularmente sobre ecossistemas e serviços marinhos. Por sua vez, as medidas locais de mitigação se mostraram mais amigáveis ao meio ambiente, com melhor governabilidade e co-benefícios. Possuem, contudo, uma capacidade moderada de reduzir os impactos relacionados ao clima.
Não existe uma única alternativa. A intervenção baseada no oceano implicaria na adoção de distintos tipos de ação, em escalas locais e global, demandando o envolvimento e coordenação de múltiplos atores.
O artigo concluiu que várias ações tem incertezas e limitações. O foco deveria se mover para o desenvolvimento imediato das mais promissores, entre as quais se incluem a energia renovável e ações locais de conservação. Outras medidas podem se mostrar aceitáveis através de mais pesquisas e testes.
Mais informações: Gattuso, Jean-Pierre, et al. "Ocean Solutions to Address Climate Change and Its Effects on Marine Ecosystems." Frontiers in Marine Science 5 (2018): 337.
Imagem: Unsplash/ Anastasia Taioglou


