A industrialização e o desenvolvimento agrícola tem levado ao desmatamento das florestas tropicais em todo o mundo. Mas algumas áreas convertidas à atividade agrícola, em geral marginais aos centros urbanos, acabam sendo abandonadas. Elas voltam a ser ocupadas pela vegetação, e são comumente chamadas de florestas secundárias.
De acordo com o estudo, as florestas secundárias ocupam uma extensão cada vez maior nas zonas tropicais. Em países como Costa Rica e Porto Rico, por exemplo, toda a vegetação remanescente é formada por florestas secundárias. No Sudeste Asiático, as florestas secundárias representam 63% da cobertura vegetal remanescente.
Como no resto do mundo, no Brasil a dinâmica de desmatamento e de abandono de terras agrícolas provocou uma proliferação de florestas secundárias. O estudo apontou que, nos últimos 30 anos, a área da Amazônia ocupada por florestas secundárias cresceu 5 vezes, passando de mais de 3 milhões de hectares em 1980 para mais de 15 milhões de hectares em 2012.
Estima-se que as florestas primárias não perturbadas armazenem 37% do carbono terrestre do planeta. O desmatamento e a degradação florestal constituem a segunda maio fonte de emissões de gases de efeito estufa, atrás somente da queima de combustíveis fósseis. Além disso, os trópicos abrigam dois terços de todas as espécies terrestres.
A regeneração de uma área perturbada ou desmatada ocorre em longo prazo. Florestas secundárias podem demorar entre décadas e séculos para recuperar a mesma riqueza de espécies observada em uma floresta primária. Algumas pesquisas sugerem que florestas secundárias talvez não possuam a capacidade de retornar para um estado equivalente ao de regiões não perturbadas.
Os cientistas decidiram investigar com mais detalhes como se dá o processo de regeneração das florestas secundárias, e qual a quantidade de carbono sequestrada nessas áreas. Foram pesquisados grupos de insetos, de aves e de plantas de 59 trechos de floresta em regeneração natural e de 30 locais de floresta primária em Paragominas e em Santarém, no Pará.
Em termos de riqueza e de composição de espécies registradas nas florestas primárias, as florestas secundárias em processo de regeneração natural mostraram uma substancial recuperação de biomassa e biodiversidade. Em média, continham 88% da riqueza registrada em locais não perturbados e 85% da composição de espécies.
![]() |
| Gráfico de recuperação de biomassa e sequestro de carbono em florestas secundárias. Fonte: figura 3 do estudo. |
Nos primeiros 20 anos de recuperação das florestas secundárias, o estudo registrou uma recuperação da biomassa em taxas de 1,2% ao ano. Equivaleria a um sequestro de carbono da atmosfera de 2,25 Mg por hectare por ano. Em média, observou uma recuperação da riqueza e da composição das espécies de 2,6% e 2,3% ao ano, respectivamente.
No entanto, mesmo as florestas secundárias mais antigas, com 4 décadas de regeneração, não alcançavam o mesmo estado de uma floresta primária. A partir dos dados, os cientistas sugeriram que uma recuperação para patamares de uma floresta não perturbada, se possível, levaria muito mais tempo.
A presença de grandes áreas de vegetação nativa próximas àquelas em recuperação constitui um fator importante. Caso as florestas secundárias estivessem isoladas ou distantes dessas áreas, o processo de regeneração e sucessão de espécies teria sido significativamente mais lento.
As florestas não perturbadas apresentam biodiversidade e armazenam uma quantidade superior de carbono. Preservá-las deve ser uma prioridade. Mas ações direcionadas às florestas secundárias, devido à rapidez observada no processo de regeneração, também pode trazer grandes benefícios para o ambiente e para a mitigação do aquecimento global.
Mais informações: Lennox, Gareth D., et al. "Second rate or a second chance? Assessing biomass and biodiversity recovery in regenerating Amazonian forests." Global change biology 24.12 (2018): 5680-5694.
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo - mapa da Amazônia e do estado do Pará, indicando-se em porcentagem a perda de cobertura florestal

