Para caracterizar os climas em diferentes locais, são utilizados os sistemas de classificação climática. Os sistemas identificam as regiões com tipo de clima similares. São por isso largamente adotados em diversos setores, entre eles a agricultura - por exemplo, na elaboração do zoneamento agroclimático.Segundo o estudo, os sistemas de classificação climática mais comuns são o de Köppen e o de Thornthwaite. Eles utilizam as principais variáveis climáticas - em especial, a temperatura do ar e a precipitação - para estabelecer os tipos de clima.
Para Minas Gerais, cada sistema de classificação identifica um conjunto diferente de climas. No sistema de Köppen, há dois climas temperados quentes, um tropical dois semiáridos.
No sistema de Thornthwaite, classificam-se vinte e cinco tipos climáticos. O predomínio é do tipo megatérmico e mesotérmico superúmido e úmido nas regiões Central, da Mata, Sul, Paranaíba e Centro-Oeste. O tipo megatérmico e mesotérmico subúmido ou semiárido prevalece nas demais regiões.
Aproximadamente 1/3 do produto interno bruto do estado está ligado ao setor agrícola. Nesse sentido, o estudo alertou que as mudanças climáticas podem trazer impactos na economia mineira e na qualidade de vida da população.
No entanto, nenhuma pesquisa havia sido realizada sobre como os tipos de clima observados em Minas Gerais seriam afetados em cenários futuros de aquecimento global.
A fim de investigar possíveis mudanças, os pesquisadores utilizaram dados de 46 estações climatológicas distribuídas ao redor do estado. Foram estabelecidos os tipos climáticos de acordo com a metodologia de cada sistema.
Em linhas gerais, o aumento da temperatura e da irregularidade das chuvas influenciaria na intensificação ou na expansão dos tipos climáticos mais secos, mesmo no cenário de baixas emissões. No segundo caso, esse tipo de clima ocuparia áreas nas quais atualmente não ocorre.
A partir de projeções de um modelo climático das médias mensais de temperatura e precipitação, avaliou-se a distribuição dos tipos climáticos para os períodos entre 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100. O trabalho considerou quatro cenários futuros, de baixas a altas emissões de gases de efeito estufa.
Em ambos os sistemas climáticos avaliados, os cenários futuros apresentaram o mesmo tipo de tendência. As regiões centrais de Minas Gerais não experimentariam uma alteração nos tipos de clima atuais. Já nas regiões norte e sul do estado, o aumento da temperatura e a diminuição das chuvas levam a mudanças nos tipos climáticos.
Os tipos de clima mais úmido registrariam uma redução de sua área. Por outro lado, clima semiáridos e climas quentes e secos se expandiriam pelo território do estado. A tendência se observou mesmo no cenários de baixas emissões. Mas seria significativamente maior no período entre 2071-2100, no cenário de altas emissões.
Em todos os cenários, algumas regiões de Minas Gerais experimentaram alterações do tipo climático já no período 2011-2040.
O relevo constituiu um dos principais elementos na caracterização dos tipos climáticos. Os pesquisadores ressaltaram que as regiões de maior altitude seriam menos afetadas pelo aumento das temperaturas e, portanto, tenderiam a experimentar menores alterações nos tipos climáticos.
As projeções do estudo servem como importante alerta das consequências futuras do aquecimento global. Elas podem auxiliar no planejamento de medidas de adaptação no estado de Minas Gerais.
Mais informações: Martins, F. B., Gonzaga, G., dos Santos, D. F., & Reboita, M. S. (2018). Classificação climática de Koppen e de Thornthwaite para Minas Gerais: cenário atual e projeções futuras. Revista Brasileira de Climatologia, 1.
Imagem: adaptado das figuras 2 e 4 do estudo - mapa de tipos climáticos de Minas Gerais (Koppen à direita, Thornthwaite à esquerda)

