Com o avanço do aquecimento global, o derretimento de algumas regiões da calota polar da Antártica poderá se assemelhar ao que acontece atualmente na Groenlândia. E com isso acelerar a perda de volume de gelo no continente antártico.
Na Antártica, a retração da calota polar se concentra na região oeste e na Península Antártica. Ela ocorre por meio da exposição da base da calota polar às águas do oceano.
No caso da Groenlândia, a perda de volume é dominada pelo derretimento da superfície da calota polar em função do aumento da temperatura do ar. O processo gera uma rede de rios e lagos glaciais sobre o gelo.
A Antártica se mantinha preservada dos efeitos do aquecimento da atmosfera por causa de suas altas altitudes médias e do clima seco. No entanto, estudo de cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido alertou que essa condição está mudando.
Trechos do continente antártico estão experimentando o derretimento da superfícies das geleiras. O mesmo se verifica nas plataformas de gelo que cercam a calota polar e funcionam como barreiras ao fluxo de gelo.
O derretimento da superfície cria cursos d'água e lagos glaciais cada vez maiores e mais numerosos. Para compreender melhor a influência do processo nas dinâmicas da calota polar da Antártica, o estudo utilizou o conhecimento acumulado em décadas de pesquisa na Groenlândia.
Segundo os cientistas, caso o derretimento superficial se expanda na Antártica - como projetam os modelos climáticos -, a perda de volume da calota polar sofrerá uma forte influência. A dinâmica hidrológica pode ser significativamente alterada.
O maior derretimento superficial será acompanhado por uma elevação no escoamento superficial de água, com implicações na interação entre o gelo e a atmosfera. Parte da água poderá escoar para a base da calota polar, lubrificando o contato do gelo com o substrato rochoso.
Finalmente, o derretimento superficial elevará a taxa de fratura das plataformas de gelo, facilitando a sua desintegração.
Todas esses processos agirão no sentido de contribuir para acelerar a futura perda de gelo na Antártica.
Até o final deste século, o aumento das temperatura do ar na Antártica poderá se tornar o principal fator para o derretimento da calota polar. Suplantaria a influência do aumento da temperatura das águas do oceano.
Mas ainda há lacunas no conhecimento científico, alertaram os cientistas. É necessário compreender melhor a formação do gelo a partir da neve, a possibilidade e formas de escoamento da água na superfície, e suas influências na fragmentação das plataformas de gelo.
Compreender e ser capaz de prever a ocorrência de tais processos é crucial para os cientistas que querem entender o aumento do nível do mar global e os riscos para os habitantes do litoral em todo o mundo.
Em resposta ao aquecimento global, a dinâmica da calota polar da Antártica dá sinais de transformação. Projetar os desdobramento futuros irá requerer o aprofundamento da pesquisa e do monitoramento do continente.
Derretimento da Antártica será igual ao da Groenlândia?
