Com base nos resultados, um dos glaciologistas envolvidos no estudo sugeriu que a calota polar da Groenlândia pode estar em processo de colapso devido ao aquecimento global. É provável que o aumento extraordinário do derretimento não encontre precedentes nos últimos milhares de anos.
A perda de massa da calota polar da Groenlândia vem sendo monitorada desde o final da década de 1970. Nessa época, tiveram início as medições realizadas através de satélite. Faltavam, portanto, dados que colocassem o derretimento das últimas décadas em uma perspectiva histórica mais longa.
Para levantar informações da dinâmica nos séculos passados, os cientistas perfuraram a calota polar, extraindo amostras de núcleo de gelo de locais a mais de 2.000 metros acima do nível do mar. Com isso, eles puderam analisar camadas de gelo formadas desde o século XVII.
Os núcleos de gelo passaram por análises físicas e químicas em laboratório. Dessa forma, foi possível determinar a espessura e a idade das camadas do gelo.
Cada uma delas registrava as condições ambientais experimentadas ao longo de um ano. Camadas mais espessas estavam associadas a anos de maior derretimento. Aquelas mais finas, por sua vez, a anos de menor derretimento do gelo.
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| Reconstrução do derretimento da calota polar da Groenlândia nos últimos 350 anos. Fonte: adaptado de figura 4 do estudo. |
Os resultados mostraram que o derretimento da calota polar da Groenlândia apresentou uma pequena elevação a partir de meados do século XIX, após o início da Revolução Industrial. No início do século XX, o derretimento se acelerou acentuadamente.
Por volta da década de 1980, verificou-se que o derretimento deu um salto abrupto, atingindo níveis extraordinariamente altos em comparação com o restante do período.
De acordo com os cientistas, as taxas de derretimento das últimas décadas estão completamente fora do padrão observados ao longo do período histórico. Desde o início da Revolução Industrial, o escoamento de água derretida aumentou 50% na Groenlândia.
Em comparação com o início do século XX, o escoamento de água atual subiu 30%.
Os cientistas alertaram que o derretimento da Groenlândia não sobe de forma linear com o aumento das temperaturas. Ele ficará cada vez mais intenso, para cada grau a mais de aquecimento. Os dados indicaram que um pequeno aquecimento levou ao crescimento exponencial do derretimento nas últimas décadas.
A calota polar da Groenlândia se encontra agora em um estado mais sensível a novos aumentos na temperatura do que há 50 anos. Tendo em vista os níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa, o derretimento sem precedentes deverá continuar ou mesmo se acelerar ainda mais.
Uma vez que a perda de massa da calota polar da Groenlândia contribui para o aumento do nível médio do mar, as consequências poderão ser significativas.
Fonte: Instituição de Oceanografia Woods Hole
Imagem: NASA-Goddard/ Maria-José Viñas


