A contribuição humana para o efeito estufa

A contribuição humana para o efeito estufa
A troca de gases de efeito estufa entre a atmosfera e outros componentes do sistema climático estava em relativo equilíbrio, apontou estudo de cientistas de universidades da China. As emissões de atividades humanas após a Revolução Industrial alteraram o equilíbrio natural, levando ao aumento das concentrações atmosféricas.

Essa tem sido desde então a contribuição humana para o efeito estufa se intensificar.

As duas principais fontes de gases de efeito estufa são os sistemas naturais e as atividades humanas. Entre as fontes naturais, incluem-se os incêndios florestais, os oceanos, os solos congelados, os pântanos e áreas úmidas, os vulcões e a atividade tectônica.

Os oceanos, por exemplo, consistem em importante emissor de gases de efeito estufa. A área do mar equatorial representa a maior fonte natural de dióxido de carbono - CO2 - em todo o mundo. Estima-se que a região equatorial do Pacífico equatorial libere 1 bilhão de toneladas de carbono por ano, ou 60% do total emitido pelos oceanos.

Para compreender melhor a interferência humana no efeito estufa, deve-se considerar todas as fontes de emissão, bem como todos os sumidouros de carbono. Inúmeras pesquisas estimarem a contribuição de fontes naturais e humanas, e também a absorção de gases por distintos elementos do sistema climático.

O gráfico traz a estimativa das emissões anuais de gases de efeito estufa,
de acordo com o tipo de fonte natural. Crédito: figura 2 do estudo.

Mas seus resultados ainda precisavam ser sistematicamente resumidos. Com esse objetivo, os cientistas realizaram um levantamento da literatura sobre o tema, organizando os dados por tipo de gás e de fonte. A partir daí, produziram um panorama abrangente das fontes e sumidouros de gases de efeito estufa, naturais e humanos.

O estudo estimou que as emissões globais anuais de gases de efeito estufa fiquem entre 54,33 e 75,50 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Desse total, as fontes naturais representariam entre 18,13–39,30 billhões de toneladas de CO2-eq.

As emissões originadas de atividades humanas, da ordem de 22 bilhões de toneladas de CO2-eq, alcançaram 36,2 Gt CO2-eq em 2016.

Entre as fontes naturais, quase 40% das emissões teria origem em incêndios florestais. Os oceanos, os solos congelados e as zonas úmidas responderiam cada um por cerca de 20% do total.

Os vulcões e as atividades tectônicas liberariam apenas entre 1% a 3% das emissões totais naturais de gases de efeito estufa.

Por sua vez, os oceanos e os ecossistemas terrestres não somente emitem, como também sequestram o carbono da atmosfera. O estudo calculou que juntos eles absorvam entre 14,4 e 26,5 bilhões de toneladas de CO2-eq.

O gráfico mostra a estimativa anual de emissões por fontes
naturais (à esquerda) e humanas (à direita). Fonte: figura 2 do estudo.

Os cientistas ressaltaram que a quantidade de CO2 absorvido pelos sistemas naturais é da mesma ordem de grandeza que a quantidade liberada. Assim, o sistema natural poderia ser considerado como em auto-equilíbrio.

É nesse contexto que as emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas devem ser avaliadas. Em 2016, elas foram da mesma magnitude do que as emissões originadas pelas fontes naturais. As emissões humanas, portanto, exercem uma pressão extra sobre os ciclos naturais do carbono.

Elas tem provocado um desequilíbrio nas trocas de carbono, o que se reflete na elevação das concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa. Com isso, intensifica-se o efeito estufa e ocorre o aquecimento global.

A tendência de aquecimento continuará enquanto o equilíbrio natural estiver alterado pelas atividades humanas. Será precisa eliminar as emissões a fim de limitar o aquecimento.


Mais informações: Xi-Liu, Y., & Qing-Xian, G. (2019). Contributions of natural systems and human activity to greenhouse gas emissions. Advances in Climate Change Research.
Imagem: Pixabay