O aquecimento global deverá interferir em um padrão de circulação atmosférica tropical denominado oscilação de Madden e Julian - OMJ -, apontou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos. A mudança irá alterar dos trópicos e de outras regiões do planeta.
A oscilação foi primeiro detectada em 1971 por dois cientistas que deram nome ao fenômeno, Madden e Julian. Analisando dados de estações climatológicas localizadas na zona equatorial do Pacífico, eles observaram um ciclo, com duração de aproximadamente 30 a 90 dias na região.
Uma grande célula de correntes convectivas de ar se deslocava periodicamente de um ponto à leste a outro à oeste do Pacífico equatorial. Após se mover, perder força e desaparecer, o fenômeno reiniciava.
A oscilação leva a pertubações em outros tipos de padrões circulatórios da atmosfera, influenciando fortemente a precipitação na Ásia e na Austrália. Ela também pode favorecer a ocorrência de furacões no Atlântico Norte, abrangendo o Golfo do México e o Caribe.
Na América do Sul e no Brasil, as mudanças na OMJ estão associadas à posição e intensidade da Zona de Convergência do Atlântico Sul - ZCAS -, que modula o regime de chuvas entre a Amazônia até a região sudeste.
Segundo os pesquisadores, a expectativa é que a OMJ sofrerá modificações em resposta ao aquecimento do sistema climático. A fim de explorar como a oscilação irá se alterar, foram analisadas as projeções de seis diferentes modelos climáticos para o período entre 2080 e 2100.
As simulações indicaram que as variações de precipitação relacionadas à OMJ tendem a aumentar em intensidade com o aquecimento global. Contudo, as projeções sugeriram que as correntes de vento subiriam em uma taxa mais lenta, ou até mesmo diminuiriam. O motivo seria o aquecimento da parte superior da troposfera no futuro.
Se a força dos ventos diminuir, a interferência provocada pela OMJ em áreas remotas poderá ser menor.
Ainda há incertezas quanto à amplitude das mudanças futuras projetadas pelos modelos climáticos. Mais pesquisa será necessária para melhorar a compreensão de como a oscilação de Madden e Julian responderá ao aquecimento global.
E, dessa forma, projetar melhor sua influência em eventos climáticos ao redor do planeta.
Fontes: Universidade do Estado do Colorado e Inpe
Imagem: Adaptado da figura 5 do estudo - esquema ilustrando a OMJ no presente e sua alteração no cenário de aquecimento global
