A interação entre a temperatura, a precipitação e a radiação exerce grande influência nas variações globais do crescimento das plantas. Em regiões de baixa precipitação e energia, diminui-se o ritmo dos processos fisiológicos básicos das plantas.
Em regiões com oferta de energia mais abundante - mais quente, com mais luz do sol -, a disponibilidade de água pode representar em um fator limitante. Assim, de acordo com o estudo, os impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas terrestres envolverá a interação entre os efeitos da energia e da água.
Mas investigar a influência das condições climáticas no crescimento da planta consiste em tarefa extremamente desafiadora. Além de escassas, as observações abrangem largas extensões e escalas de tempo. E outros fatores também interferem na taxa de crescimento.
Os pesquisadores buscaram investigar o crescimento das árvores em biomas de florestas temperadas e boreais. Utilizaram uma rede global de dados de anéis de árvores, contemplando 2.710 locais diferentes. Em cada um deles, foi calculada a resposta do crescimento interanual das árvores à quatro parâmetros climáticos.
Os dados compreendiam os períodos entre 1930 e 1960 e entre 1960 e 1990. Para explorar os efeitos globais, o estudo extrapolou os resultados locais para outros domínios climáticos e geográficos do planeta.
O estudo identificou que o aquecimento relativamente brando ao longo do século 20 já provocou respostas observáveis no crescimento das árvores dos biomas temperado e boreal em todo o mundo. Em grande parte da zona boreal, a disponibilidade de água passou a consistir no principal fator limitante ao crescimento.
A tendência deve se agravar em um futuro de aquecimento global. Condições mais quentes e secas tenderão a reforçar a limitação em grande escala ao crescimento das árvores dos biomas temperado e boreal.
A velocidade das mudanças apresentará um grande risco aos ecossistemas, uma vez que as florestas talvez não consigam se adaptar na mesma velocidade. Os impactos incluem desde o maior crescimento das árvores em ambientes frios e úmidos até o risco de mortalidade em ambientes mais secos.
Nesse sentido, os pesquisadores afirmaram que o aquecimento global futuro poderá desencadear uma grande redistribuição nas respostas das florestas às condições climáticas. A avaliação e monitoramento das alterações nos ecossistemas precisa ser aprofundada. E planejar medidas de adaptação.
Mais informações: Flurin Babst et al. Twentieth century redistribution in climatic drivers of global tree growth. Science Advances, 2019
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