As variações na inclinação do eixo da Terra influenciam no avanço e na retração da calota polar da Antártica, identificou estudo de um time internacional de cientistas. A descoberta representa um alerta para as possíveis consequências do aquecimento global.
Um dos fatores associados às modificações registradas no sistema climático dizem respeito aos movimentos astronômicos da Terra. Denominados de ciclos de Milankovitch, incluem as variações na forma da órbita e na inclinação do eixo do planeta.
A combinação dessas variações influenciam a distribuição da radiação solar sobre a superfície, além de sua intensidade durante as estações do ano. Elas desencadeiam o início e o término das glaciações.
O estudo investigou uma possível relação entre a inclinação do eixo terrestre e a calota polar da Antártica. Para tanto, foram comparados registros paleoclimáticos - sedimentos marinhos - e geológicos do avanço e retração da calota polar com uma reconstrução dos ciclos de inclinação do eixo terrestre.
Com cerca de 26 milhões de quilômetros cúbicos, a calota polar da Antártica contém gelo suficiente para elevar o nível médio do mar em vários metros. Até o momento, a parte oeste do continente tem sido a mais sensível ao aquecimento global, nela se registrando a maior parte do derretimento.
Nessa região, grande parte das geleiras que compõem a calota polar estão em contato com a água do oceano. A base do gelo está ancorada em terrenos que ficam abaixo do nível do mar, o que as torna mais vulneráveis.
A análise revelou que a calota polar da Antártica atravessou diferentes fases de evolução ao longo do tempo. Em geral, os dados sugeriram que o tamanho da calota polar respondeu às variações na inclinação do eixo terrestre.
Mas a sensibilidade à inclinação do eixo era maior quando as margens da calota polar se estendiam para os ambientes marinhos - como ocorre no presente no oeste da Antártica. O motivo disso estaria na influência das variações da inclinação do eixo terrestre sobre a circulação oceânica ao redor do continente.
De acordo com os cientistas, as variações condicionariam a posição e a força do fluxo de correntes atmosféricas ao redor da Antártica. As modificações das correntes atmosféricas, por sua vez, aumentariam ou diminuiriam o transporte de calor pelos oceanos ao redor do continente.
Em situações em que o transporte de calor subia, as margens da calota polar que se estendiam para os ambientes marinhos ficariam mais expostas ao derretimento.
Todavia, a intensidade desse efeito dependeria também da quantidade de gelo marinho presente em torno da Antártica. O gelo marinho funciona como uma barreira entre o mar e as geleiras da calota polar, protegendo estas da interferência do oceano.
Em momentos no qual há uma grande extensão da calota polar com base abaixo do nível do mar, e área limitada de gelo marinho, os efeitos da variação no eixo terrestre tendem a se amplificar. Sem o gelo marinho, a vulnerabilidade ao derretimento se eleva.
A partir dos resultados, o estudo alertou para a possibilidade de que o aquecimento global diminua a cobertura de gelo marinho ao redor da Antártica no futuro. Em tal cenário, é provável que o derretimento da calota polar se acelere.
O elo entre o eixo terrestre e a Antártica
