Povos indígenas e a política climática

Povos indígenas e a política climática
Diante dos planos e decisões tomados pelo Estado brasileiro e outras instituições referentes às mudanças climáticas, os povos indígenas estão se organizando e atuando politicamente, afirmou artigo de pesquisador da Universidade Estadual Paulista.

O artigo destaca que a governança das mudanças climáticas ocorre em geral por meio de atores como os estados nacionais, instituições internacionais e empresas transnacionais. Seria principalmente a partir desse núcleo que se estabelecem as estratégias de mitigação e de adaptação ao aquecimento global.

As estratégias e ações propostas pelos atores tradicionais podem levar ou mesmo impor interferências nos territórios e modos de vida dos povos indígenas. Nesse sentido, esse grupos buscam espaço para que seus interesses e pontos de vista também sejam levados em consideração nas políticas climáticas nacionais.

O testemunho de alguns representantes de povos indígenas do Brasil mostra uma grande preocupação com as consequências das transformações do clima para a vida humana e a para a natureza. Também revelam uma percepção de que padrões de chuva ou da temperatura tem se alterado recentemente.

Em geral, eles identificam no modo de vida das sociedades ocidentais industriais a responsabilidade da devastação das florestas, da poluição e do aquecimento global.

Ao mesmo tempo, associações e lideranças dos povos indígenas tem questionado as medidas do Estado brasileiro de combate às mudanças climáticas.

Os problemas abrangem desde a falta de participação dos povos indígenas nas decisões à ataques, por parte dos três poderes da administração pública - Executivo, Legislativo e Judiciário -, aos direitos conquistados .

Nesse sentido, no contexto brasileiro de pequena efetivação da legislação indigenista, a governança e políticas climáticas surgem como um novo elemento de conflito.

Os povos indígenas possuem interesses contrastantes aos das sociedades industriais, além de distintas concepções da natureza. Devem se preparar tanto aos impactos das mudanças climáticas quanto das propostas e ações criadas externamente.

Resta saber se, através de coligações e da resistência política, conseguirão lidar com o esse duplo desafio.


Mais informações: Bertapeli, V., 2019. NOTAS SOBRE O PENSAMENTO E A ATUAÇÃO INDÍGENA FRENTE AOS PROJETOS MITIGADORES DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Educamazônia-Educação, Sociedade e Meio Ambiente, 21(2, Jul-Dez), pp.26-46.
Imagem: Flickr-Agência Senado/André Côrrea